Demissão de comandante da Proteção Civil: "Que São Pedro nos proteja"

Marques Guedes disse ainda que um militar "não deserta (...) quando a operação já está montada no terreno"

O PSD, CDS-PP, BE e PCP exigiram hoje, no Parlamento, esclarecimentos sobre as razões que levaram ao pedido de demissão de António Paixão, comandante da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC). Luís Marques Guedes, deputado do PSD, referiu que esta demissão marca a "quarta saída" por parte de comandantes da Proteção Civil, afirmando que "tudo o que se tem passado tem sido um tratado de incapacidade e incompetência".

O coronel José Manuel Duarte da Costa foi designado na segunda-feira pelo secretário de Estado da Proteção Civil para exercer as funções de comandante operacional da ANPC, substituindo o coronel António Paixão, que estava no cargo há cinco meses.

O ministro adiantou que Duarte da Costa inicia funções a partir de quarta-feira.

Na comissão, o deputado do PSD Marques Guedes instou o ministro a explicar as razões do pedido de exoneração de António Paixão, considerando que deve existir um outro motivo além das pessoais, uma vez que, sendo um militar, não abandonaria o cargo próximo da época de incêndios.

"Um militar não deserta quando a operação já está montada no terreno. A opacidade em torno deste processo só adensa a intranquilidade das pessoas. Não nascemos ontem. E que São Pedro nos proteja, porque, dependendo do Governo, só podemos esperar o pior", afirmou Marques Guedes.

O deputado do PSD acusou também o Governo de "incapacidade e incompetência" em relação à forma como está a preparar próxima época de incêndios.

Na resposta, o ministro da Administração Interna acusou o PSD de estar a fazer deste tema "demagogia partidária".

Eduardo Cabrita destacou o reforço de meios para o combate aos incêndios, sublinhando o alargamento dos meios aéreos e humanos, nomeadamente o aumento de elementos do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR, que vão passar a estar presentes em todo o país e com intervenção em ataque ampliado, bem como no Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) e alargamento das equipas de intervenção permanente nos bombeiros voluntários.

"Pela primeira vez temos um dispositivo que ultrapassa o patamar dos 10 mil elementos", sustentou, realçando "a capacidade de reforço de meios nas áreas de maior risco", bem como a disponibilidade de mais meios aéreos durante todo o ano.

Em relação aos meios aéreos, o ministro disse que, neste momento, há mais de uma dezena de contratos a aguardar visto do tribunal de contas.

Na semana passada, o presidente da ANPC disse que estão adjudicados 42 meios aéreos para o combate aos incêndios, faltando oito helicópteros ligeiros e três pesados para substituir os Kamov que estão parados.

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Nuno Artur Silva

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