Cunha Ribeiro fica em prisão preventiva

Juíza de instrução decretou medida de coação máxima para ex-responsável da ARS/Lisboa e do INEM, suspeito de corrupção passiva

O médico Cunha Ribeiro, suspeito de corrupção passiva na operação "O negativo" vai ficar em prisão preventiva, depois de dois dias de interrogatório no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa. O arguido é suspeito de corrupção passiva numa investigação relacionada com o negócio do plasma. Em causa estão factos suscetíveis de integrarem a prática de crimes de corrupção ativa e passiva, recebimento indevido de vantagem e branqueamento de capitais.

O médico Luís Cunha Ribeiro foi, além de presidente do INEM, presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, tendo-se demitido deste cargo na sequência do caso da morte do jovem David Duarte, 29 anos, nos Hospital de São José, com um aneurisma cerebral.

Na operação "O negativo", Paulo Lalanda de Castro, ex-responsável da Octapharma em Portugal, foi detido na quarta-feira na Alemanha, nos escritórios da farmacêutica em Heidelberg, na Alemanha. Em comunicado, a Polícia Judiciária informou que, através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção, e com a colaboração das autoridades alemãs, "procedeu à detenção de um ex-administrador de uma empresa farmacêutica", acrescentando que o detido está a ser presente às autoridades judiciais daquele país a fim de validarem a detenção e decidirem da entrega às autoridades portuguesas.

Segundo apurou o DN com fonte da PJ, Lalanda de Castro encontra-se no Tribunal da Relação de Heidelberg para que os juízes deem luz verde à sua transferência para Portugal, uma vez que foi detido no âmbito de um mandado de detenção europeu. Em Heidelberg já se encontra uma equipa da Polícia Judiciária que tratará de acompanhar a transferência do ex-responsável, assim que a mesma for validada.

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