Cristas volta a defender demissão dos ministros da Defesa e da Administração Interna

Cristas recordou que o CDS já tinha sinalizado em agosto "delicadeza" da situação do GalpGate. "Parece que um ano depois o primeiro-ministro está a dar-nos razão"

A presidente do CDS-PP voltou hoje a defender, em Figueiró dos Vinhos, a demissão dos ministros da Defesa e da Administração Interna e considerou que a demissão dos três secretários de Estado "vem tarde".

"Espero que o primeiro-ministro tire daqui lições e não cometa os mesmos erros e, olhando para o conjunto do seu Governo, em que tem membros de tal forma fragilizada que fragilizam todo o Governo, (...) que aproveite esta saída dos secretários de Estado e que inclua o ministro Defesa e a ministra da Administração Interna", afirmou Assunção Cristas.

A líder do CDS-PP falava aos jornalistas à entrada para uma reunião nos bombeiros de Figueiró dos Vinhos (Leiria) com a corporação local e com as corporações de Pedrógão Grande e de Castanheira de Pera.

Questionada sobre a demissão dos três secretários de Estado, Rocha Andrade, João Vasconcelos e Jorge Costa Oliveira, que pediram exoneração ao primeiro-ministro na sequência das viagens ao Euro2016 a convite da Galp, Cristas recordou que o CDS já tinha sinalizado, em agosto do ano passado, a "delicadeza desta situação".

"Entendemos na altura que estavam fragilizados e não tinham condições para continuar. Não foi o entendimento do primeiro-ministro. Parece que um ano depois está a dar-nos razão", sustentou.

A líder centrista sublinhou ainda estar à espera que o primeiro-ministro, "de viva voz, que diga ao CDS porque razão entende que há que manter, se for esse o caso, a confiança nestas duas pastas [Defesa e Administração Interna]".

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