Crato diz que ações não travaram fecho de escolas

O ministro da Educação e Ciência afirmou hoje, no Porto, que "não há uma única providência cautelar" contra o encerramento de escolas que tenha tido efeito suspensivo e garantiu que o ano escolar iniciou-se com normalidade.

"Do meu conhecimento, não há uma única providência cautelar que tenha tido efeito suspensivo", disse o ministro, que se escusou a comentar os casos particulares de escolas que abriram à revelia da decisão do Ministério da Educação.

"As providências cautelares são uma possibilidade legal que as pessoas podem utilizar. Têm todo o direito de o fazer. Nos apresentámos uma contestação fundamentada e a partir desse momento a providência cautelar cessa o seu efeito imediato", disse o ministro da Educação, que falava na abertura da conferência internacional "Towards ohter Earths II -- The Star Planet Connection".

O DN noticia hoje, com base em testemunhos de associações de pais, responsáveis autárquicos e sindicatos, que centenas de alunos começaram o ano em ambiente de incerteza, já que decorrem ainda ações visando travar o fecho das escolas que frequentaram no último ano letivo.

O DN revela também os casos de escolas que se mantêm em funcionamento por iniciativa das autarquias locais e de outras cujo encerramento foi adiado.

Esta manhã tem sido marcada por protestos em várias escolas. Pais e alunos da Secundária de Marco de Canavezes fecharam o portão da escola com um lenço verde, em protesto contra o atraso nas obras de que o edifício estava a ser alvo. O protesto foi entretanto concluído, estando as aulas a decorrer normalmente.

Na Escola Básica 1 de Figueira de Lordão, no concelho de Penacova, pais protestaram contra o "incumprimento da lei" no que respeita ao enquadramento de crianças com necessidades educativas especiais (NEE). Em causa está alegada ultrapassagem dos limites de aluno por turma quando esta inclui estudantes com NEE.

Em Celorico de Basto, dezenas de pais impediram o início das aulas, por existirem turmas com alunos de anos diferentes.

Na Covilhã, pais levaram os filhos à escola do 1.º ciclo de Erada, encerrada pelo Ministério, e em Rio de Moinhos, Aljustrel, as famílias contestaram também o fecho da escola local recusando entregar os filhos no Centro Escolar para onde foram transferidas.

Ler mais

Premium

robótica

Quando os robôs ajudam a aprender Estudo do Meio e Matemática

Os robôs chegaram aos jardins-de-infância e salas de aula de todo o país. Seja no âmbito do projeto de robótica do Ministério da Educação, da iniciativa das autarquias ou de outros programas, já há dezenas de milhares de crianças a aprender os fundamentos básicos da programação e do pensamento computacional em Portugal.

Premium

Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...

Premium

João César das Neves

Donos de Portugal

A recente polémica dos salários dos professores revela muito do nosso carácter político e cultural. A OCDE, no habitual "Education at a Glance", apresenta comparações de indicadores escolares, incluindo a remuneração dos docentes. O estudo é reservado, mas a sua base de dados é pública e inclui dados espantosos, que o professor Daniel Bessa resumiu no Expresso de dia 15: "Com um salário que é cerca de 40% do finlandês, 45% do francês, 50% do italiano e 60% do espanhol, o português médio paga de impostos tanto como os cidadãos destes países (a taxas de tributação que, portanto, se aproximam do dobro) para que os salários dos seus professores sejam iguais aos praticados nestes países."