Costa reúne-se com João Lourenço na Suíça "num contexto em que há um problema"

PM vai encontrar-se na Suíça com presidente angolano. Admite questão que transcende a política, aludindo ao processo de Manuel Vicente

O secretário-geral socialista anunciou hoje que vai encontrar-se com o Presidente angolano no final deste mês, durante o Fórum Económico Mundial, em Davos (Suíça), e salientou que não há nenhum problema político entre os dois países.

"Tenho um novo encontro marcado [com o chefe de Estado angolano, João Lourenço] para Davos dentro de duas semanas. Portanto, as relações entre Portugal e Angola vão decorrer com toda a normalidade possível, num contexto em que há um problema", declarou António Costa, numa alusão ao processo da Justiça portuguesa que envolve o ex-vice-presidente de Angola Manuel Vicente.

Falando aos jornalistas à entrada da reunião da Comissão Nacional do PS, António Costa referiu que em dezembro passado, durante a última cimeira entre a União Europeia e África, reuniu-se com o Presidente da República de Angola, João Lourenço.

"Foi uma reunião frutuosa, onde ficou claro que não há nenhum problema entre Portugal e Angola dos pontos de vista económico e político. Há uma questão que transcende o poder político, que não diz respeito ao Presidente da República, ao Governo ou à Assembleia da República. É um tema da exclusiva responsabilidade das autoridades judiciárias", salientou o primeiro-ministro.

Questionado se as autoridades judiciárias portuguesas deveriam transferir o processo que envolve Manuel Vicente para Angola, António Costa recusou-se a pronunciar-se sobre essa matéria, invocando o princípio da separação de poderes.

"As autoridades judiciárias têm plenos poderes para decidir sobre essa matéria. Não há um problema entre os governos português e angolano, ou entre os presidentes da República de Portugal e de Angola, ou entre os parlamentos dois países", insistiu o primeiro-ministro.

Segundo António Costa, existe sim "uma questão que Angola identificou muitíssimo bem, de uma forma muito precisa e que é da exclusiva responsabilidade das autoridades judiciárias portuguesas".

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