Costa sublinha tranquilidade e ministro garante soluções para alunos dos colégios

António Costa visitou a Secundária Passos Manuel, onde foi aluno, na companhia de Tiago Brandão Rodrigues

"Tranquilidade". Esta foi a palavra de ordem do primeiro-ministro, António Costa, para descrever o arranque deste ano letivo, numa visita à Escola Secundária Passos Manuel, em Lisboa, onde foi aluno.

"É importante que os professores sejam colocados a tempo e horas, que os meninos sejam colocados a tempo e horas nas escolas, que as aulas possam abrir normalmente, porque começar com normalidade é a primeira condição para que as escolas possam respirar", disse Costa, não poupando elogios ao "grande esforço" do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, que o acompanhou na visita. Um início de aulas sem sobressaltos "não devia ser uma novidade", admitiu, "mas infelizmente os últimos anos tornaram a normalidade numa novidade".

Costa destacou ainda as várias medidas implementadas pelo Governo na área da educação, da oferta de manuais escolares aos alunos do 1.º ano de escolaridade ao alargamento do pré-escolar, passando pelo Programa de Promoção do Sucesso Escolar e "um novo método de avaliação cuja função não é excluir mas, pelo contrário, aferir o conhecimento".

Sobre os aspetos onde a "tranquilidade" não é a palavra de ordem, a maioria das resposta vieram do ministro. Nomeadamente sobre as queixas de diretores apontando para a falta de milhares de funcionários nas escolas. Tiago Brandão Rodrigues lembrou a realização do concurso para a contratação de 2900 assistentes operacionais - que essencialmente mantêm os contingentes existentes no ano passado - e acrescentou que, em conjunto com os diretores, o Ministério está "a mapear todo o sistema educativo para verificar quais são as necessidades e atuar atempadamente".

Sobre a polémica em torno dos contratos de associação, questionado sobre os professores e funcionários que terão sido despedidos de colégios, na sequência dos cortes promovidos pelo governo, o ministro preferiu sublinhar que foram encontradas soluções para os estudantes transferidos desses estabelecimentos para a rede pública.

"O que sei é que todas as crianças que estavam nas escolas com contrato de associação e que as famílias decidiram incluir no nosso sistema tiveram uma resposta eficaz , com a colaboração de muitos diretores de agrupamento que souberam receber essas crianças, esses jovens", disse o ministro, defendendo que os alunos em causa estão já "completamente integrados".

'Selfies' com alunos e elogios à obra da Parque Escolar

No regresso à "sua" antiga escola, António Costa não poupou elogios à "extraordinária" requalificação feita pela Parque Escolar, durante o governo de José Sócrates, destacando sobretudo a "preservação dos materiais originais", nomeadamente das "madeiras". Um entusiasmo que não foi abalado nem sequer pelas revelações das pequenas falhas da obra, à chegada à biblioteca se verificou que não havia forma de acender a luz. "A Parque Escolar esqueceu-se de pôr aqui interruptores. Temos de ir à outra sala acender as luzes", explicou a presidente do conselho geral do agrupamento.

Tiago Brandão Rodrigues também teve um momento vagamente embaraçoso quando, ao perguntar aos alunos de uma turma do 7.º ano se já estavam com saudade de começar o ano ouviu um rotundo "não!" coletivo.

Mas, no resto da visita, primeiro ministro e ministro da Educação tiveram razões para sair satisfeitos. Até porque, a avaliar pelos inúmeros pedidos para tirarem "selfies" com alunos, a popularidade do governo está em alta entre a parcela mais nova da comunidade escolar.

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