Costa quer dólares na agricultura: "Temos muita área por explorar no Alqueva"

Primeiro-ministro tenta seduzir investimento norte-americano no setor agroalimentar e para a reforma da floresta

António Costa quer mais investimento norte-americano no setor agroalimentar e lembrou, em Napa Valley, no estado norte-americano da California, que com o novo plano nacional de regadios, o país vai, até 2020, "alargar significativamente as áreas de exploração onde é importante atrair investimento", com mais 75 mil hectares de regadio, metade dos quais no Alqueva.

As declarações do primeiro-ministro foram feitas no decorrer de uma visita à fábrica da corticeira Amorim (líder mundial na produção de rolhas de cortiça) nos Estados Unidos, e Costa pegou nesse exemplo para dizer que o caso da cortiça "é exemplar, porque somos os maiores produtores de cortiça, mas há outras áreas onde podemos e devemos procurar exportar para os Estados Unidos da América".

"As nossas relações económicas com os Estados Unidos", sustentou, "podem ser nos dois sentidos, e a indústria agroalimentar pode ter um papel muito importante, e é importante atrair investimento americano para as novas oportunidades que existem em Portugal".

Salientando que "grande parte do investimento que tem aumentado no setor agroalimentar tem sido investimento direto estrangeiro e algum dele norte-americano", Costa quer atrair dólares também "para o desafio da reforma da floresta, onde precisamos de novos investidores que tenham uma visão empresarial da floresta e da sua exploração"

E, por isso, enfatizou que "É útil que os investidores estrangeiros conheçam essas oportunidades e, quando tiverem que decidir onde investir, tenham Portugal no mapa e invistam em Portugal".

Amorim: rolhas para dar seis voltas à terra. E algumas são de Coppola

A corticeira Amorim, fundada em 1870, é líder mundial na produção de rolhas: vende 5400 milhões de unidades por ano, tendo 28% da quota mundial. 94% das vendas anuais de 700 milhões de euros são feitas fora de Portugal, para 82 países.

Presente desde 1989 nos Estados Unidos, a Amorim construiu uma nova fábrica em 2011, dedicada à personalização de rolhas (importadas de Portugal), através de tinta e também usando a tecnologia mais recente, que usa laser para queimar a superfície, formando os desenhos ou mensagens pretendidos pelos clientes, que incluem Francis Ford Coppola: o cineasta, também produtor de vinhos, encomenda à Amorim rolhas para o espumante "Sofia", inspirado no nome da filha, também ela realizadora.

Ler mais

Premium

Pedro Lains

O Brasil e as fontes do mal

O populismo de direita está em ascensão, na Europa, na Ásia e nas Américas, podendo agora vencer a presidência do Brasil. Como se explica esta tendência preocupante? A resposta pode estar na procura de padrões comuns, exercício que infelizmente ganha profundidade com o crescente número de países envolvidos. A conclusão é que os pontos comuns não se encontram na aversão à globalização, à imigração ou à corrupção política, mas sim numa nova era de campanhas eleitorais que os políticos democráticos não estão a conseguir acompanhar, ao contrário de interesses políticos e económicos de tendências não democráticas. A solução não é fácil, mas tudo é mais difícil se não forem identificadas as verdadeiras fontes. É isso que devemos procurar fazer.

Premium

João Almeida Moreira

1964, 1989, 2018

A onda desmesurada que varreu o Brasil não foi apenas obra de um militar. Não foi, aliás, apenas obra dos militares. Os setores mais conservadores da Igreja, e os seus fiéis fanáticos, apoiaram. Os empresários mais radicais do mercado, que lutam para que as riquezas do país continuem restritas à oligarquia de sempre, juntaram-se. Parte do universo mediático pactuou, uns por ação, outros por omissão. Os ventos norte-americanos, como de costume, influenciaram. E, por fim, o anticomunismo primário, associado a boas doses de ignorância, embrulhou tudo.