Costa quer estratégia para "década de convergência" com a Europa 

Costa disse que sobretudo após o "Brexit", negociações na União Europeia serão "mais exigentes" e Portugal tem de estar preparado

O primeiro-ministro considerou hoje essencial que exista uma estratégia nacional que permita que Portugal tenha uma década de convergência com a União Europeia e insistiu na aprovação formal por dois terços do Plano Nacional de Infraestruturas.

António Costa falava na sala do Senado na Assembleia da República, durante a sessão de abertura de um plenário extraordinário do Conselho Económico Social (CES) - reunião que foi solicitada pelo Governo e que se destina a abrir o debate sobre o tema "Portugal pós 2020".

Na sua intervenção, o primeiro-ministro defendeu a tese de que, sobretudo na sequência do "Brexit" (saída do Reino Unido da União Europeia) as negociações dos próximos quadros comunitários de apoio serão "mais exigentes" e Portugal tem de estar preparado para elas já em 2018, quando a Comissão Europeia lançar a discussão sobre os regulamentos.

Perante os membros do CES, o líder do executivo dividiu em duas fases o percurso histórico de Portugal na União Europa, identificando um primeiro período de "forte convergência" até 2001 e um segundo período de divergência em termos de crescimento.

"Nos últimos três trimestres Portugal teve a oportunidade de convergir com a União Europeia, mas não este breve período não pode ser uma exceção. Queremos que estes sejam os primeiros três trimestres de uma década de convergência com a União Europeia", declarou o primeiro-ministro.

Para isso, segundo o líder do executivo, Portugal tem de articular em simultâneo "uma maior competitividade externa e uma maior coesão interna".

No plano político, António Costa disse que a discussão do Portugal pós 2020 será feita com as forças partidárias depois das eleições autárquicas de 01 de outubro.

"Este debate sobre o que queremos no país na próxima década terá de necessariamente chegar ao conjunto do sistema político, em particular à Assembleia da República. Sendo uma estratégia para dez anos, sendo um quadro comunitário que atravessará várias legislaturas, deve por isso beneficiar de um consenso político mais alargado", acentuou.

De acordo com o primeiro-ministro, no âmbito desta estratégia de médio e longo prazo, sairá um documento denominado Plano Nacional de Infraestruturas.

"Temos todos consciência da forte limitação que o Estado tem do ponto de vista orçamental e, por outro lado, a dificuldade do financiamento por parte do crédito. Por isso, nos próximos anos, os fundos comunitários serão a grande fonte de financiamento dos investimentos públicos ou privados", sustentou.

Na perspetiva do primeiro-ministro, o Plano Nacional de Infraestruturas 2020/2030 "deverá ser votado formalmente na Assembleia da República, tendo o consenso político mais alargado possível, desejavelmente de dois terços".

"Uma infraestrutura não é algo para o prazo da nossa vida, porque transcenderá a nossa vida na terra, mesmo para aqueles que acreditam que a possam prolongar fora da terra. Portanto, é necessário que o conjunto das infraestruturas tenha a maior legitimação política, já que estaremos a trabalhar para as gerações vindouras", acrescentou.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

Pode a clubite tramar um hacker?

O hacker português é provavelmente uma história à portuguesa. Rapaz esperto, licenciado em História e especialista em informática, provavelmente coca-bichinhos, tudo indica, toupeira da internet, fã de futebol, terá descoberto que todos os estes interesses davam uma mistura explosiva, quando combinados. Pôs-se a investigar sites, e-mails de fundos de jogadores, de jogadores, de clubes de jogadores, de agentes de jogadores e de muitas entidades ligadas a esse estranho e grande mundo do futebol.

Premium

Opinião

"Orrrderrr!", começou a campanha europeia

Através do YouTube, faz grande sucesso entre nós um florilégio de gritos de John Bercow - vocês sabem, o speaker do Parlamento britânico. O grito dele é só um, em crescendo, "order, orrderr, ORRRDERRR!", e essa palavra quer dizer o que parece. Aquele "ordem!" proclamada pelo presidente da Câmara dos Comuns demonstra a falta de autoridade de toda a gente vulgar que hoje se senta no Parlamento que iniciou a democracia na velha Europa. Ora, se o grito de Bercow diz muito mais do que parece, o nosso interesse por ele, através do YouTube, diz mais de nós do que de Bercow. E, acreditem, tudo isto tem que ver com a nossa vida, até com a vidinha, e com o mundo em que vivemos.

Premium

Marisa Matias

Mulheres

Nesta semana, um país inteiro juntou-se solidariamente às mulheres andaluzas. Falo do nosso país vizinho, como é óbvio. A chegada ao poder do partido Vox foi a legitimação de um discurso e de uma postura sexistas que julgávamos já eliminadas aqui por estes lados. Pois não é assim. Se durante algumas décadas assistimos ao reforço dos direitos das mulheres, nos últimos anos, a ascensão de forças políticas conservadoras e sexistas mostrou o quão rápida pode ser a destruição de direitos que levaram anos a construir. Na Hungria, as autoridades acham que o lugar da mulher é em casa, na Polónia não podem vestir de preto para não serem confundidas com gente que acha que tem direitos, em Espanha passaram a categoria de segunda na Andaluzia. Os exemplos podiam ser mais extensos, os tempos que vivemos são estes. Mas há sempre quem não desista, e onde se escreve retrocesso nas instituições, soma-se resistência nas ruas.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Ser ou não ser, eis a questão

De facto, desde o famoso "to be, or not to be" de Shakespeare que não se assistia a tão intenso dilema britânico. A confirmação do desacordo do Brexit e o chumbo da moção de censura a May agudizaram a imprevisibilidade do modo como o Reino Unido acordará desse mesmo desacordo. Uma das causas do Brexit terá sido certamente a corrente nacionalista, de base populista, com a qual a Europa em geral se debate. Mas não é a única causa. Como deverá a restante Europa reagir? Em primeiro lugar, com calma e serenidade. Em seguida, com muita atenção, pois invariavelmente o único ganho do erro resulta do que aprendemos com o mesmo. Imperativo é também que aprendamos a aprender em conjunto.