Costa: Há uma disputa muito "interessante" em Lisboa... para segundo

"[Fernando Medina] é o único que concorre mesmo à presidência da câmara", afirmou o líder socialista

O início da arruada estava marcado para as 15.30, uma hora depois os apoiantes socialistas acotovelavam-se à entrada da Rua Nova da Trindade à espera de ver surgir o candidato e o secretário-geral socialista e primeiro-ministro. Nem vê-los. "A pontualidade não é uma virtude política", dizia uma senhora. Ainda teve de esperar mais uns dez minutos, quando surgiram as primeiras bandeiras da comitiva que vinha do tradicional almoço de fim de campanha na cervejaria Trindade. Mas, uma vez chegado ao Largo do Chiado, continuou a não ser fácil conseguir ver António Costa - centenas de pessoas acompanharam a descida da Rua Garrett de Fernando Medina e do líder do partido, que avançaram no meio de um cordão que foi furado inúmeras vezes por pessoas que queriam cumprimentar António Costa.

O entusiasmo socialista com a eleição de domingo na capital é evidente. Começa, aliás, no próprio líder socialista, que ao almoço afirmou que "é evidente para todos quem vai ser o próximo presidente da câmara". "Porque é o único que concorre mesmo à presidência da câmara", afirmou António Costa, acrescentando que Teresa Leal Coelho e Assunção Cristas "têm uma disputa muito interessante, mas para saber qual delas fica em segundo".

Com as sondagens a divergirem entre dar a maioria absoluta ao PS ou não (as últimas dão), Fernando Medina defendeu que a capacidade do executivo nos próximos quatro anos dependerá "da dimensão do resultado eleitoral", para o que deixou um apelo ao voto, porque as "sondagens não votam, os afectos não votam e a simpatia também não".

Feitos os discursos na Trindade, para a arruada ficaram os acenos para as varandas e os beijinhos. Ao longo de cerca de uma hora e meia, a comitiva socialista desceu em passo lento, sob sucessivas chvas de confettis, a rua Garrret, a Rua do Carmo, e virou, no Rossio, para a Rua Augusta, que percorreu quase até ao final. Numa das ruas mais turísticas de Lisboa, Medina e Costa ainda olhavam para cima, mas com exceção de uma varanda ocupada pela Juventude Socialista, por ali não havia muitos lisboetas a quem cumprimentar. Já a restauração deu pela passagem do secretário-geral socialista e do candidato à câmara (e já, agora, do batalhão de câmaras que os acompanhavam), e usando do lema de que há que ter olho para o negócio foi oferecer primeiro uns pastéis de nata, depois uns pastéis de bacalhau (com queijo da serra) e um copo de vinho da Madeira. A páginas tantas, enquanto a comitiva avançava, por vezes em ziguezagues entre as esplanadas e as floreiras, alguém da organização gritou - "têm que virar para a esquerda, quer queiram, quer não".

Será? Do ponto de vista político, esse é a equação que Medina quer evitar no cenário de uma vitória no próximo domingo. Também por isso, numa breve intervenção no final da arruada, agradeceu "do fundo do coração, a incrível campanha" e apelou a um último esforço para uma "grande vitória" na "Assembleia Municipal, na câmara, e em todas e cada uma das freguesias da cidade". Já António Costa foi mesmo muito sucinto: "Domingo Lisboa vai votar e o Medina vai ganhar".

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