Costa elogiado no estrangeiro. "É um pequeno milagre no Atlântico"

A conceituada revista britânica The Economist dedica esta sexta-feira, 13, um artigo ao primeiro-ministro português, a quem elogia a governação. A justificação? Não ser exatamente um político de esquerda

Portugal está na mó de cima. Quem o diz é a revista inglesa The Economist que esta sexta-feira, 13, dedica um artigo ao primeiro-ministro António Costa.

Logo no início da reportagem lemos o que lhe dá mote. "Lisboa está na moda e é um dos destinos turísticos mais badalados da Europa e goza de um pequeno boom de startups. Os jogadores de futebol de Portugal são os campeões europeus, e os políticos assumem um punhado de empregos internacionais de destaque. Mas, acima de tudo, ele [António Costa] é o vencedor de uma aposta política de alto risco".

A nova edição da revista The Economist foi tentar perceber como tirou Costa Portugal de um cenário de crise económica profundo - um resgate da Troika de 78 mil milhões de euros. Qual fénix renascida das cinzas.

A publicação destaca os resultados alcançados pelo Governo socialista em coligação de esquerda, ao fim de dois anos de funções, considerando que a social-democracia está a patinar em toda a Europa, "exceto em Portugal". Porquê? Costa, "filho de um intelectual comunista de Goa, a antiga colónia de Portugal na Índia, convenceu dois partidos de esquerda - os comunistas da velha guarda e o modesto Bloco de Esquerda - a apoiar um governo socialista minoritário em troca de modestas concessões políticas".

Mas não só. "O governo de esquerda em Portugal está a prosperar em parte porque não é especialmente de esquerda. Por enquanto, a política está fixada em déficits e dívidas, e não em investimentos e serviços públicos. Um governo de centro-direita estaria fazendo o mesmo", admitem.

A alternativa para 'não há alternativa'

Mesmo assim, no artigo que esta semana dedica a Portugal, cuja versão impressa vai para as bancas no sábado, a The Economist aponta o país como "um pequeno milagre no Atlântico".

"Alguns cortes salariais foram repostos, as empresas estão a criar empregos a bom ritmo, os investidores estrangeiros estão interessados e as finanças públicas gozam de boa saúde. Portugal tornou-se no mais querido do mercado de títulos, afirmando estar na vanguarda da batalha contra a austeridade". E citam o primeiro-ministro: "Nós mostramos que existe uma alternativa para 'Não há alternativa'".

De forma resumida, a revista conta como foi o processo de formação do atual Governo minoritário socialista, apoiado no parlamento por "dois partidos da esquerda radical" (uma alusão ao BE e PCP), depois de o PS de António Costa ter perdido as eleições legislativas de 2015 para a coligação de centro-direita (PSD/CDS-PP). "Os inimigos apelidaram a experiência de geringonça e deram-lhe seis meses de vida no máximo".

Segundo a revista, com a formação da 'geringonça', os credores temiam que "um Governo esquerdista afastasse os investidores", através da aplicação de uma política económico-financeira "despesista"

Porém, "dois anos depois, a engenhoca, a geringonça, não só não caiu como está em movimento."

Para o primeiro-ministro, os governos tipo Bloco Central, em geral, favorecem as correntes populistas, porque sinalizam aos eleitores que as escolhas entre as forças políticas tradicionais europeias são superficiais em termos de alternativa.

Assim, Costa acredita que o acordo vai sobreviver até a eleição do próximo ano. E além? "Por que não?", responde.

A verdade, é que se a publicação elogia a atuação do primeiro-ministro, também não deixa de fora uma ponta de critica, que guarda para o fim do artigo, onde deixa claro que o desempenho de sucesso de António Costa foi exponenciado "por uma boa dose de boa sorte" e pelas "medidas tomadas pelo governo anterior".

António Costa volta a rejeitar a ideia de "grande coligação ao centro"

"Os socialistas assumiram o cargo quando a recuperação de Portugal começou, auxiliada pelo crescimento nos mercados europeus que tomaram 70 por cento das suas exportações. A compra de divida do Banco Central Europeu acalmou os mercados. O turismo cresceu, graças à instabilidade de outros países".

E terminam de uma forma perentória. "Os esquerdistas europeus podem encontrar inspiração em Portugal. Mas eles irão ter de ir buscar idéias a outro lugar". Com Lusa

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Nuno Artur Silva

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