Costa defende reforço do euro e fim da "competição fiscal" na UE

Reunião dos socialistas europeus em Lisboa marcada por rasgados elogios à geringonça e pela defesa de uma UE mais solidária.

António Costa recebeu ontem rasgados elogios à política do seu Governo no Conselho do Partido Socialista Europeu (PSE), que reuniu em Lisboa os principais dirigentes dessa área política, e defendeu o fim da competição fiscal na UE.

O presidente do PSE, Sergei Stanishev, foi o último dos socialistas europeus a mostrar-se rendido à geringonça: "Estamos muito entusiasmados porque podemos ver que um Governo socialista, em circunstâncias muito difíceis e com um passado pesado de austeridade, conseguiu grande sucesso com as suas medidas económicas e sociais. Não é nenhum exagero. Estamos a assistir a um milagre em progresso."

"Em apenas em dois anos, o Governo de António Costa conseguiu tanto, estabilizando a banca e o sistema financeiro, conseguiu estabilidade orçamental, criar 240 mil novos empregos e dar uma nova esperança para as pessoas", enalteceu.

António Costa retribuiu com uma defesa acérrima da Europa e do seu projeto social para "combater os que são contra" a UE: "Não podemos continuar a ter a competição ou dumping fiscal entre os nossos países e precisamos de mais Europa para acabar" com uma realidade que facilita a evasão fiscal das grandes fortunas e multinacionais.

Costa intervinha na sessão de encerramento, a seguir a Sergei Stanishev e perante figuras como os comissários europeus Pierre Moscovici, Vytenis Andriukaitis e Corina Cretu, o inglês Jeremy Corbyn, o belga Elio Di Rupo, o primeiro-ministro austríaco, Christian Kern, o ministro luxemburguês Nicolas Schmit e so portugueses Vieira da Silva e Maria João Rodrigues.

"Os cidadãos [europeus] têm boas razões para se sentirem revoltados perante o aumento das desigualdades mas, se queremos combater a evasão fiscal, não o faremos bem ao nível de cada um dos Estados isoladamente", sublinhou António Costa, deixando claro que só à escala europeia será possível ter uma "boa política fiscal" que permita combater a evasão fiscal.

O reforço da convergência europeia, em particular no plano da moeda única, foi outro tópico defendido por António Costa: "Temos a obrigação de aproveitar a janela de oportunidade que hoje temos e evitar uma nova crise e, para isso, a reforma da União Económica e Monetária é absolutamente essencial para que tenhamos uma moeda que não seja só única, mas que seja efetivamente comum, uma moeda que sirva as diferentes economias da zona euro, que seja um fator de união e não um fator de divisão."

Num pavilhão Carlos Lopes gelado, onde os delegados presentes assistiram a debates sobre a evolução "do pilar social ao plano social europeu", quanto a "um novo modelo para a economia verde, para o crescimento e emprego" ou a importância dos "valores progressistas numa dimensão global", o líder socialista português argumentou que "a convergência" na UE - e em especial na zona euro - permitirá criar "a estabilidade necessária" para que a economia cresça "com menos riscos" e seja "mais partilhada e justa" para todos os cidadãos europeus.

Introduzindo uma nota de humor na sua intervenção, ao lembrar que foi o primeiro chefe de governo europeu de origem indiana e agora já há um segundo (o homólogo irlandês), Costa falou sobre os dois anos da geringonça: "Orgulhamo--nos de ter provado que é possível viver com as mesmas regras" e adotar "uma política diferente" que permitiu ter crescimento económico, mais emprego e maior igualdade.

Na abertura dos trabalhos, já a secretária-geral adjunta do PS tinha destacado os méritos da solução governativa nacional: "Recusámos o maximalismo e a arrogância perante quem pensa diferente de nós, tanto quanto recusámos a submissão acrítica, as orientações que ameaçavam a nossa coesão porque todos somos necessários na construção dos nossos países e da Europa."

"O sucesso da nossa alternativa mede-se pelo facto" de a aliança parlamentar com o BE e o PCP "ter feito aprovar três orçamentos" de Estado ou pela "diminuição do desemprego e da pobreza", mas "também por termos conseguido explicar a nossa visão aos parceiros europeus, que eram hostis e desconfiados em relação ao nosso caminho", acrescentou a nº 2 do PS.

Europa no ADN do PS

O secretário-geral do PS começou a sua intervenção por lembrar que o partido nasceu na Alemanha e assinalou que "a Europa faz parte do ADN dos socialistas".

Sendo os valores europeus "um guia" para todos os governos PS em Portugal, Costa deixou um alerta: "Mais uma vez é a batalha pelos valores que está em causa quando temos de enfrentar" os populismos de esquerda e direita, dando respostas aos problemas e medos que alimentam esses movimentos.

Devolver aos europeus a confiança, a segurança e a esperança "são as chaves" para atingir esse objetivo comum aos socialistas e sociais-democratas da UE. "É uma sociedade solidária" que se exige, pois "temos bons argumentos para combater os que são contra a Europa" e só ganham força "porque não temos coragem de dizer que precisamos de mais Europa para responder a esse desafio", disse.

Este ponto foi realçado também por Vieira da Silva, ao sublinhar que as políticas europeias devem conter uma dimensão social nas suas prioridades, instrumentos e opções. "Sem resultados, o pilar europeu não será um instrumento" para obter os resultados pretendidos, sejam a melhoria do emprego e da proteção social ou alterar a perceção que os cidadãos têm da Europa.

"É na construção das perceções, na forma como nos relacionamos com o presente e futuro, que bloqueamos o avanço dos populismos e da extrema-direita e colocamos a social-democracia como forma liderante do projeto europeu", disse.

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