Governo quer que simulador de pensões reforce a credibilidade do sistema

Dados das simulações baseiam-se no sistema da Segurança Social

O primeiro-ministro defendeu esta terça-feira que o lançamento do simulador de pensões, que estará disponível aos cidadãos a partir de quarta-feira, contribuirá para o reforço da transparência, da credibilização e da confiança no sistema público de Segurança Social.

"O passo que hoje damos é decisivo para a confiança individual de cada um no sistema de Segurança Social, porque, com o simulador, poder-se-á acompanhar a par e passo, ao longo de toda a vida, qual a perspetiva que tem cada um de nós em relação à pensão futura", justificou António Costa, no encerramento da cerimónia de lançamento do simulador, em Porto Salvo, Oeiras.

De acordo com o Governo, o novo simulador responde a perguntas como: quando é que cada um de nós se pode reformar; quanto vai receber; e se terá ou não alguma penalização caso opte por se aposentar numa determinada data.

O sistema permite uma simulação automática, tendo como base apenas os dados do existente no sistema da Segurança Social, mas também uma simulação complementar caso seja adicionada informação personalizada por parte do requerente da pesquisa.

Além da consulta do histórico das suas remunerações, os cidadãos também podem verificar se, num determinado ano, não houve um erro a corrigir

"Este controlo individual por parte de cada um do seu próprio processo de formação da pensão e das suas expectativas reforça, por via da transparência, a confiança que todos temos de possuir no nosso sistema de Segurança Social. Foi uma belíssima forma de assinalar este Dia Nacional da Segurança Social", considerou.

Antes, António Costa referiu-se de forma crítica ao período de corte nas pensões na anterior legislatura e ao posterior acórdão do Tribunal Constitucional que obrigou o anterior Governo a repor o valor das prestações a pagar aos pensionistas.

"Estamos também perante um exemplo de como o Estado tem de possuir um compromisso permanente com a modernização e a qualidade dos seus serviços. Temos de ser capazes de contactar cada vez mais os cidadãos no dia-a-dia, através das mais diversas formas que as tecnologias vão permitindo", apontou o líder do executivo.

Antes, o ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social defendeu que o novo simulador de pensões "constitui um passo no reforço da transparência e da credibilização" do sistema público.

"Este simulador dá capacidade de resposta a cerca de 95% dos trabalhadores no ativo do lado da Segurança Social, ficando apenas de fora situações minoritárias de trabalhadores que têm uma carreira composta em diferentes regimes, ou situações de exceção", esclareceu o membro do Governo.

Vieira da Silva adiantou que o simulador também não cobre os trabalhadores da Caixa Geral de Aposentações, que ainda tem um simulador da geração anterior. No entanto, adiantou o ministro, até ao final do ano a Caixa Geral de Aposentações vai ter um simulador semelhante ao que será lançado na quarta-feira para os beneficiários do regime geral.

"A combinação dos dois sistemas será mais exigente do ponto de vista técnico", admitiu Vieira da Silva, complementado que este é, por isso, "um processo em permanente construção".

O ministro da Segurança Social também procurou desfazer possíveis equívocos em relação ao novo instrumento de consulta." Não é o simulador que estipula as regras de aposentação. Ele apenas reproduz as regras que se encontram em vigor. Se em algum dia se introduzir alguma alteração na fórmula de cálculo das pensões, então, de uma forma relativamente simples, o simulador irá adaptar os seus parâmetros", acrescentou.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

A "taxa Robles" e a desqualificação do debate político

A proposta de criação de uma taxa sobre especulação imobiliária, anunciada pelo Bloco de Esquerda (BE) a 9 de setembro, animou os jornais, televisões e redes sociais durante vários dias. Agora que as atenções já se viraram para outras polémicas, vale a pena revistar o debate público sobre a "taxa Robles" e constatar o que ela nos diz sobre a desqualificação da disputa partidária em Portugal nos dias que correm.

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.