Costa dá debate sobre calendário eleitoral como "assunto encerrado"

"Para uma Europa do futuro, o alinhamento dos quadros eleitorais seria, obviamente, interessante", admitiu o Primeiro-Ministro

António Costa dá como encerrada a discussão sobre a possibilidade do calendário eleitoral português vir a ser alinhado com o semestre europeu, contrariando a ideia defendida pelo ministro das Finanças do seu próprio Governo, que assume também as responsabilidades da presidência do Eurogrupo.

"No caso concreto de Portugal foi uma questão que o senhor Presidente da República colocou aos partidos, há bastantes meses, e todos disseram que não. Portanto, é um assunto que está ultrapassado e encerrado", frisou o chefe do Governo, embora reconheça que, "em teoria" haveria vantagens.

"Em termos técnicos, abstratos, para uma Europa do futuro, o alinhamento dos quadros eleitorais seria, obviamente, interessante?", admitiu, em declarações registadas em Vallenciannes, no norte de França, onde terminou uma visita de três dias, antes de seguir para Londres.

Costa esclareceu que uma tal ideia não se concretizaria "nem agora, nem tão cedo". Porém, entende que "objetivamente, o facto de estarmos sempre condicionados pelo calendário eleitoral uns dos outros - em eleições nacionais, nas eleições regionais ou nas eleições europeias - é um fator que, muitas vezes, dificulta o processo de decisão, isso é óbvio que sim".

António Costa desvaloriza o facto da ideia ser defendida por um membro do seu Governo, com a responsabilidade que Mário Centeno tem na Europa, enquanto presidente do Eurogrupo, no qual o processo de decisão e de debate se organiza em torno das rotinas do semestre europeu.

Centeno tinha defendido, em resposta a um membro da plateia, durante uma conferência em Lisboa, que "seria adequada a antecipação das eleições" no caso de um alinhamento dos calendários eleitorais com o semestre europeu, reabrindo assim o debate em torno de uma questão que António Costa dava como "assunto encerrado".

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