PJ investiga homicídio de Rodrigo. Há indícios de morte "violenta"

Corpo do adolescente com "indícios claros de violência extrema, com lesões na cabeça". Padrasto será o principal suspeito

As autoridades policiais retiraram às 11:30 as fitas que delimitavam o local onde o adolescente desaparecido há mais de uma semana foi esta manhã encontrado morto, em Portimão, o que indicia que o corpo já terá sido recolhido. A mãe do jovem foi levada pela Polícia Judiciária (PJ), durante a manhã, e regressou à sua residência cerca das 13:00, acompanhada por inspetores da Polícia Judiciária (PJ), três horas depois de ter sido levada para interrogatório. Na residência, os inspetores efetuaram perícias durante cerca de duas horas, tendo abandonado o local perto das 15.00 desta sexta-feira.

Munidos de equipamento para perícias, os inspetores vistoriaram a casa, no sítio das Vendas, durante aproximadamente duas horas, mas perto das 15:00 abandonaram a residência, levando consigo a mãe do jovem morto. Célia Barreto foi ouvida pelos inspetores da Polícia Judiciária "sempre na qualidade de testemunha", disse à agência Lusa fonte policial. De acordo com esta fonte, a mãe do menor foi inquirida várias vezes pela investigação nessa condição e não é neste momento suspeita no processo, tendo já regressado a sua casa após mais uma inquirição.

O corpo de Rodrigo Lapa vai ser autopsiado na manhã desta quinta-feira no Gabinete Médico-Legal e Forense do Barlavento, situado no complexo do hospital de Portimão, para onde o cadáver foi encaminhado.

Não foram adiantados, até ao momento e de fonte oficial, mais elementos que expliquem as circunstâncias em que ocorreu a morte e se o corpo apresenta sinais de violência. Mas, segundo o Jornal de Notícias, o corpo de Rodrigo tinha "indícios claros de violência extrema, com lesões na cabeça". De acordo com o que o jornal apurou, não havia vestígios de sangue no local onde o corpo foi encontrado, o que sugere que o crime tenha acontecido noutro local, nomeadamente na casa onde o adolescente vivia com a mãe. O corpo estaria em avançado estado de decomposição, pelo que será necessário aguardar que a autópsia determine a data da morte.

O JN acrescenta ainda que a investigação já terá um principal suspeito, o padrasto de Rodrigo, que viajou para o Brasil no dia em que foi dado o alerta do desaparecimento do rapaz, dia 22 de fevereiro. Segundo o jornal Público, a "hipótese de acidente ou suicídio está completamente afastada". A Polícia Judiciária acredita que foi um homicídio.

O corpo de Rodrigo Lapa, de 15 anos, foi descoberto pouco depois das 09:00 num terreno de ervas, mato e oliveiras, entre o sítio das Vendas e o Malheiro, no concelho de Portimão, junto ao hospital da cidade, por um militar da GNR que participava nas buscas, explicou o major Marco Cruz. O local onde o cadáver foi encontrado situa-se a pouco mais de 200 metros da casa do adolescente.

O jovem vivia no sítio das Vendas, Portimão, e frequentava a escola de Estômbar, no concelho de Lagoa, distrito de Faro. Segundo a família, saiu de casa de manhã, na segunda-feira, dia 22 de fevereiro, para ir para a escola, mas não voltou a ser visto.

O rapaz frequentava um curso de Cozinha na cidade vizinha de Lagoa, tendo faltado às aulas três dias antes de o seu desaparecimento ter sido comunicado, no dia 22 de fevereiro, pela mãe, às autoridades.

Na sequência do desaparecimento, a Polícia Judiciária confirmou que foi aberta uma investigação e que tinham iniciado buscar para encontrar o adolescente.

O porta-voz da GNR remeteu mais informações para a PJ, que, segundo o Correio da Manhã, esteve na segunda-feira a fazer diversas perícias na residência de Rodrigo e em alguns terrenos nas proximidades da habitação.

De acordo com o jornal, Rodrigo Lapa vivia com a mãe, Célia Barreto, o padrasto e uma irmã bebé.

Ainda segundo o diário, a PJ levou de casa do jovem a bicicleta de Rodrigo, que teria um pneu furado, o que o terá levado a caminhar pela zona ribeirinha de Portimão para aí apanhar o autocarro até à escola em Estômbar, já no concelho de Lagoa, segundo relatou a mãe ao jornal.

Apesar das diligências da PJ para encontrar, essencialmente, um corpo, os investigadores da judiciária não descartavam a hipótese do menor estar vivo e de ter fugido de casa de forma intencional, adiantou a mãe de Rodrigo ao jornal.

O padrasto do menor viajou para o Brasil no dia do desaparecimento de Rodrigo, tendo o facto sido considerado suspeito pela PJ, de acordo com o diário.

O homem, de nacionalidade brasileira, já terá sido contactado telefonicamente pelos investigadores, de acordo com o Correio da Manhã, tendo aceitado colaborar.

Segundo o jornal, as primeiras buscas para encontrar o jovem foram feitas com cães da GNR logo após ter sido dado o alarme do desaparecimento. Na segunda-feira, a PJ usou um helicóptero para ajudar nas buscas, tendo, inclusive, as margens do rio Arade até às Fontes de Estômbar sido inspecionadas, além do caminho normalmente utilizado pelo jovem sido batido pelas autoridades.

[Notícia atualizada às 17:49]

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