Coronel do Exército é o novo comandante da Proteção Civil

Ministro da Administração Interna aceitou a demissão do coronel da GNR António Paixão. PSD e CDS querem ouvi-lo no Parlamento

A semanas de se iniciar a fase de prevenção e combate aos incêndios, a ANPC (Autoridade Nacional de Proteção Civil) tem um novo chefe máximo operacional. E volta a ser um militar. António Paixão, indigitado para o cargo em novembro passado em substituição de Rui Esteves - que se demitira em setembro - apresentou a sua demissão ao ministro da Administração Interna, que anunciou ontem à noite, em comunicado, que o secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, designou o coronel tirocinado José Duarte da Costa para exercer as funções de comandante operacional nacional do Comando Nacional de Operações de Socorro da ANPC. Quanto ao coronel da GNR António Paixão, a tutela justificava a sua demissão com "motivos pessoais".

Contactado pelo DN, Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros e dirigente social-democrata, comentou que a demissão de Paixão "é uma atitude de honestidade, de dignidade. As pessoas quando sentem que não estão devidamente capacitadas para o exercício de uma função e tomam uma atitude dessas é de enaltecer, de saudar". Marta Soares, com quem António Paixão entrara em rutura, voltou a salientar que o coronel não era a pessoa adequada para o cargo. "Não me parecia que o senhor coronel tivesse o perfil adequado para o exercício daquela função, mas não somos nós, Liga dos Bombeiros, que temos competência para nomear."

Assim que Paixão foi indigitado, os bombeiros fizeram ouvir o seu protesto, através de Jaime Marta Soares, que queria um bombeiro na função. Os bombeiros sentiam que o seu papel na estrutura do combate aos incêndios estava a ser desvalorizado, face à GNR e aos militares. "É preferível agora, que ainda dá tempo de nomear alguém com o perfil adequado para que se possa arrancar a época com alguém com as competências e o conhecimento para o exercício de uma função que é de alta responsabilidade", afirmou.

O coronel Duarte da Costa, chefe do Estado-Maior do Comando das Forças Terrestres, é responsável pelas áreas de planeamento e execução da atividade operacional da componente terrestre das Forças Armadas e entre as suas competências está o planeamento de ações do Exército no combate aos incêndios.

O DN sabe que CDS e PSD vão chamar António Paixão para ser ouvido com carácter de urgência em comissão parlamentar. Este não é o primeiro sinal de tensão na ANPC, agora que o verão está à porta. Como o DN noticiou na semana passada, a vinda a Portugal de três peritos da União Europeia para aconselhar as autoridades nacionais na prevenção e combate a incêndios provocara já tensão entre a recém-criada Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF) - sob tutela do primeiro-ministro - e a ANPC. A isso e às críticas de Marta Soares veio ainda juntar-se o relatório divulgado pelo Público, dando conta de falhas graves no combate aos incêndios de Pedrógão Grande.

Marta Soares disse ainda que, para a Liga dos Bombeiros, a pessoa adequada para o cargo não é "necessariamente alguém que tenha passado pelos bombeiros. Gostaríamos que fosse, mas pode ser do Exército ou de outro lado, desde que tenha conhecimento da matéria e que, acima de tudo, saiba ser um bom condutor de homens, que saiba lidar com as instituições, tenha diálogo fácil." O DN tentou, sem efeito, pedir uma reação de Marta Soares ao nome de Duarte da Costa.

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