Controlo de substância proibida é feito no matadouro, mas por amostragem

A autoridade para a segurança alimentar assegurou hoje que o controlo da presença em carne para consumo de fenilbutazona, anti-inflamatório usado em cavalos, mas proibido na alimentação humana, é feito desde a origem, no matadouro, embora por amostragem.

"Estamos sempre sujeitos a que apareça uma nova não conformidade", admitiu à agência Lusa Jorge Reis, subinspetor-geral da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) para a área científica.

Na quinta-feira, a Deco, associação de defesa dos consumidores, anunciou, publicamente, ter detetado vestígios do medicamento em amostras de hambúrgueres Auchan e almôndegas Polegar que continham com carne de cavalo.

Os produtos foram retirados do mercado ainda na semana passada, depois da ASAE ter sido, então, alertada pela associação, não obstante as "quantidades muito pequenas" da substância encontradas não atentaram contra a saúde, indicou a fonte da ASAE.

Jorge Reis assegurou que, até ao alerta da Deco, nunca antes foi detetado, em amostras analisadas, o anti-inflamatório na carne para consumo humano.

"O histórico de pesquisa da fenilbutazona em Portugal é bastante positivo, no sentido de não haver amostras não conformes", sustentou, insistindo que "em toda a Europa já foram efetuadas análises para determinar a presença de fenilbutazona em produtos processados e também não havia resultados positivos".

O subinspetor-geral da ASAE garantiu que o controlo desta e de outras substâncias proibidas na alimentação humana é feito desde a origem, no matadouro, muito embora por amostragem, definida pela Comissão Europeia.

"Não é feito na totalidade dos animais, é impossível", vincou, reconhecendo que, no caso em apreço, "a certa altura da cadeia alimentar, alguém introduziu animais que foram tratados com a substância".

Jorge Reis salientou que "não há país nenhum na Europa e no mundo que não obtenha resultados positivos [para substâncias proibidas na alimentação humana], o risco zero não existe".

Em Portugal, adiantou, o controlo de medicamentos como a fenilbutazona é efetuado de acordo com o Plano Nacional de Pesquisa de Resíduos, da responsabilidade da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária.

"O que é importante é que as entidades competentes tenham os seus sistemas de controlo bem montados e a funcionar, de maneira a detetarem tão rápido quanto possível e mitigarem este tipo de problemas", advogou Jorge Reis.

A fonte relembrou que a ASAE pediu informação adicional à Deco para "perceber a metodologia usada" nas suas análises, nomeadamente se o laboratório que as fez "está acreditado", realçando que a autoridade vai continuar a recolher amostras de produtos de carne e analisá-las, para aferir o grau de segurança para o consumidor.

"O nível de empenhamento é total", frisou Jorge Reis, acrescentando, sem apresentar números, que "colheitas de amostras são feitas diariamente", no âmbito do plano de controlo de ADN de cavalo em produtos rotulados como sendo de carne de bovino, mas cujos "resultados têm sido negativos".

Para a Deco, os problemas relacionados com carne de cavalo rotulada como produto de origem bovina podem ser mais abrangentes do que uma mera fraude económica e demonstrar falta de controlo em todo o processo.

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