"Consolidar Macau como ponte entre a China e Portugal"

O semanário Plataforma Macau entrevista Lionel Leong, secretário para a Economia e Finanças do governo macaense que chega amanhã a Lisboa para participar num encontro sobre cooperação económica e comercial entre a China e os países lusófonos.

Qual o principal objetivo desta visita?

A visita tem como principal finalidade participar no Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa - Lisboa 2018. Várias instituições e empresas de Macau irão assinar documentos de cooperação nas mais variadas áreas, ligados à industria financeira, ao investimento e ao empreendedorismo jovem, ao comércio, consumo e proteção do consumidor. Iremos também estar presentes na celebração do 15.º aniversário do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, em Lisboa. Para reforçar o desenvolvimento de relações com serviços comercias, empreendedorismo jovem e comércio alimentar do Brasil, depois de Portugal, a delegação visitará instituições governamentais e empresas nas cidades de Brasília e Rio de Janeiro. Outro dos focos principais será a apresentação de todos os desenvolvimentos recentes em Macau aos países lusófonos, principalmente para salientar as oportunidades de cooperação que estão a nascer em Macau com o projeto da Grande Baía. E, claro, promover o envolvimento de países lusófonos na iniciativa Uma Faixa Uma Rota.

Com quem irá reunir-se em Portugal, em que atividades participará e quais os temas que serão discutidos?

Irei reunir-me com membros de várias áreas, mas iremos focar-nos em discutir sobretudo assuntos ligados à área económica, comercial e financeira.

Quais os frutos que espera ver nascer a partir desta visita? E quão importante é ela para Macau?

Espero que ajude a promover a construção de uma plataforma de contacto entre a China e Portugal, em especial ligada a serviços financeiros. Espero espalhar mais conhecimento sobre as vantagens de Macau nesta área e incentivar à participação na criação de um Centro de Liquidação em RMB [Renminbi, moeda chinesa] para Países de Língua Portuguesa. Como tal, é necessário que sejam desenvolvidos serviços financeiros caracteristicamente de Macau, como locação financeira e gestão de fortunas, para que seja estabelecida uma cooperação mais forte. Este encontro servirá também para assinar vários documentos ligados a cooperações por parte de empresas e instituições de Macau. A viagem irá ainda servir como lançamento desses mesmos projetos. Projetos estes que irão contribuir para a consolidação da função de Macau como plataforma de contacto entre a China e Portugal.

Já disse que Macau tem a possibilidade de se tornar num centro financeiro de ligação entre a China e os países lusófonos. Durante esta visita, e a curto prazo, que passos planeia tomar?

Desde agosto de 2015 que o Banco da China (Sucursal de Macau) já recebeu autorização para realizar serviços de liquidação de RMB em trocas comercias de produtos e serviços com bancos de países lusófonos. Mais tarde, em março de 2016, com o lançamento do sistema de liquidação de RMB em tempo real, foi estabelecida uma base sólida para o desenvolvimento deste "Centro de Liquidação em RMB para Países de Língua Portuguesa". Recentemente, como forma de promover este papel da região, a Autoridade Monetária incentivou a que bancos chineses e portugueses em Macau, além de aproveitarem os recursos do grupo bancário para desenvolver uma ligação mais próxima com os clientes, procurassem também a consolidação de negócios entre a China e Portugal que estão envolvidos com bancos do continente e com as suas sucursais no território. Tal coordenação, juntamente com o Centro de Liquidação, irá ajudar a reforçar a liquidez do RMB no mercado local. Para que isso seja devidamente implementado, a Autoridade Monetária de Macau contactou com o Banco de Portugal, a Caixa Geral de Depósitos e a Associação Portuguesa de Bancos, apresentando às mesmas a atual situação económica de Macau, as novas políticas financeiras, e discutindo possibilidades de futura colaboração.

Várias vozes têm sugerido que Macau se transforme num centro de arbitragem comercial entre a China e países lusófonos. Concorda? Que medidas tem o Governo em mente para que Macau assuma este tão importante papel?

Para promover Macau como centro de arbitragem comercial sino-lusófono, o Governo da região está a aperfeiçoar gradualmente as leis e regulamentos, para que seja apresentado um sistema relativamente simples e internacional. A "Lei da Arbitragem de Macau" foi finalizada em maio, estando à espera de aprovação pela Assembleia. O Governo está ainda a promover a mesma finalidade através de outros canais. Um deles teve lugar em outubro, quando o Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau organizou a feira internacional e a "Série de Oportunidades de Negócios dos Países de Língua Portuguesa - Seminário sobre a Resolução das Disputas nas Áreas Económica e de Investimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa".

Que planos tem para promover ainda mais as ligações entre os países de língua portuguesa e a zona da Grande Baía Guangdong-Hong Kong Macau?

O Estado chinês, ao definir o desenvolvimento de Macau rumo à sua transformação numa "Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa", está a oferecer à cidade um benefício único, ajudando-a também na integração no desenvolvimento da Grande Baía. Como incentivo a que outras cidades desta região e países lusófonos usufruam desta plataforma, irão ser reforçadas trocas económicas e comerciais. O Governo de Macau irá também levar a cabo uma série de trabalhos, como a abertura completa dos canais de comércio online transfronteiriço, para que as Pequenas e Médias Empresas se expandam no mercado do continente.

LEIA AQUI, NA ÍNTEGRA, A ENTREVISTA AO SECRETÁRIO PARA A ECONOMIA E FINANÇAS DO GOVERNO DE MACAU

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Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.