Conservatório Nacional vai crescer. Vai ter mais estúdios e nova cantina

Intervenção vai obrigar os alunos a frequentarem aulas na escola secundária Marquês de Pombal, em Lisboa

A Escola do Conservatório Nacional vai crescer em altura e ganhar uma ala inteiramente nova, com mais salas, uma nova cantina e um novo estúdio de dança, de acordo com o projeto de reabilitação do edifício, apresentado esta quarta-feira.

Está ainda previsto a criação de um sistema de aquecimento, um sistema elétrico novo, o reforço da estrutura e a manutenção das áreas mais importantes, como os átrios, a biblioteca e o salão nobre, "tal como estão, mas recuperados", explicou Ana Mafalda Pernão, coordenadora das instalações e anterior diretora da escola.

Este projeto de reabilitação do antigo Convento dos Caetanos - o edifício histórico que alberga a Escola de Música do Conservatório Nacional, fundada em 1835 - vai obrigar os cerca de 800 alunos a instalarem-se provisoriamente na escola secundária Marquês de Pombal, em Lisboa, a partir do ano letivo 2018/2019.

"O edifício cresceu [no projeto] o que foi possível crescer, tendo em vista que esta é uma zona qualificada. Cresceu um piso, numa parte mais baixa, que tinha dois pisos. O estúdio de dança cresce para dar lugar a mais um estúdio em cima, na antiga cisterna do convento, ficando assim dividido em quatro pisos: três estúdios de dança e um ginásio de música", especificou Ana Mafalda Pernão.

Irá existir um corpo inteiramente novo, que passará a ter a cantina, contigua ao pátio, e dois pisos superiores com salas de ambos os lados de um corredor central iluminado pelo pátio.

O espaço interior é o que será mais alterado, com alas inteiramente deitadas abaixo, criando espaços abertos em algumas zonas e redimensionado salas de aulas, noutras, sendo que algumas salas de música ficarão mais pequenas do que atualmente, segundo a mesma responsável.

Um dos atuais estúdios de dança será inteiramente modificado, para passar a albergar as cinco salas que têm sido utilizadas para a disciplina de piano, uma vez que, pela sua dimensão, permite colocar dois pianos de cauda lado a lado.

O projeto de reabilitação foi apresentado numa cerimónia oficial que contou com a presença do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e do primeiro-ministro, António Costa, que recordou os três anos em que estudou naquela escola: "É a escola onde fui mais feliz, em toda a minha vida".

O ministro da Educação evocou o "peso e o legado" da instituição com quase dois séculos de existência, na qual se sente a "resiliência" da escola, mas também "a exigência e a excelência" dos projetos artísticos.

A este propósito, recordou a existência já de outras quatro escolas públicas de música -- em Braga, Porto, Aveiro, e Coimbra -- e sublinhou a abertura, pela primeira vez, no próximo ano letivo, abaixo da linha do Tejo, de um novo conservatório, em Loulé, "algo que é absolutamente fundamental, numa região que em termos de ensino artístico não existia".

O anúncio deste novo conservatório, no Algarve, foi feito em maio e assinalado com uma cerimónia pública de assinatura de um protocolo, entre o Governo e a autarquia local, a estabelecer a sua criação.

Dirigindo-se aos alunos, Tiago Brandão Rodrigues pediu-lhes que juntassem, à excelência e à exigência, a "paciência".

"Hoje foi assinada a portaria de extensão de encargos, nos próximos dias será lançado o concurso para a empreitada internacional, mas durante os próximos dois anos terão que estar fora daqui deste vosso edifício, porque os sons da dança, os sons da música não se compaginam muito bem com os sons das obras e, por isso, é importante poderem ir para outra escola e terem lá funcionalmente aquilo que merecem", afirmou.

Uma portaria publicada esta quarta-feira em Diário da República, fixa em 9,2 milhões de euros a verba total a adjudicar às obras de recuperação do Conservatório Nacional até 2020.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

A ameaça dos campeões europeus

No dia 6 de fevereiro, Margrethe Vestager, numa só decisão, fez várias coisas importantes para o futuro da Europa, mas (quase) só os jornais económicos repararam. A comissária europeia para a Concorrência, ao impedir a compra da Alstom pela Siemens, mostrou que, onde a Comissão manda, manda mais do que os Estados membros, mesmo os grandes; e, por isso mesmo, fez a Alemanha e a França dizerem que querem rever as regras do jogo; relançou o debate sobre se a Europa precisa, ou não (e em que condições), de campeões para competir na economia global; e arrasou com as suas possibilidades (se é que existiam) de vir a suceder a Jean-Claude Juncker.

Premium

Anselmo Borges

Islamofobia e cristianofobia

1. Não há dúvida de que a visita do Papa Francisco aos Emirados Árabes Unidos de 3 a 5 deste mês constituiu uma visita para a história, como aqui procurei mostrar na semana passada. O próprio Francisco caracterizou a sua viagem como "uma nova página no diálogo entre cristianismo e islão". É preciso ler e estudar o "Documento sobre a fraternidade humana", então assinado por ele e pelo grande imã de Al-Azhar. Também foi a primeira vez que um Papa celebrou missa para 150 mil cristãos na Península Arábica, berço do islão, num espaço público.

Premium

Adriano Moreira

Uma ameaça à cidadania

A conquista ocidental, que com ela procurou ocidentalizar o mundo em que agora crescem os emergentes que parecem desenhar-lhe o outono, do modelo democrático-liberal, no qual a cidadania implica o dever de votar, escolhendo entre propostas claras a que lhe parece mais adequada para servir o interesse comum, nacional e internacional, tem sofrido fragilidades que vão para além da reforma do sistema porque vão no sentido de o substituir. Não há muitas décadas, a última foi a da lembrança que deixou rasto na Segunda Guerra Mundial, pelo que a ameaça regressa a várias latitudes.