Consensos: CDS aprovou maioria das propostas do governo e do PS

Um balanço sobre a atividade do Grupo Parlamentar (GP) centrista é demonstrado que CDS esteve mais empenhado nos consensos do que o PS

Os deputados da bancada centrista, presidida por Nuno Magalhães, fizeram as contas da atividade parlamentar desta legislatura e concluíram que mais de metade dos diplomas do governo e dos projetos do PS mereceram o voto favorável do CDS. "O nosso primeiro compromisso é com o país e com todos os portugueses", é sublinhado num relatório do GP. O objetivo do balanço foi "perceber quem procura compromissos em prole das necessidades dos portugueses, sem se importar quem era autor das iniciativas, mesmo vindo elas do PS ou do governo, e quem ficou comprometido com um acordo assinado com as esquerdas radicais, que lhe impossibilitou de viabilizar medidas justas e necessárias".

Assim, até ao final de fevereiro, foram aprovados na Assembleia da República 130 diplomas do governo, das quais o CDS votou favoravelmente 96 (74%) e contra, apenas 14 (11%).
Do PS , passaram 46 projetos de lei, dos quais o CDS apoiou 24 (53%) e contra, apenas 13 % (29%). "Sempre que entendemos que as propostas do PS ou do governo era boas ou, pelo menos, serviam os interesses dos portugueses e eram úteis ao país, não hesitámos em viabiliza-las", é escrito.

No entanto "a atitude do PS qual foi?", questionam os deputados. "Em 71 projetos de lei finalizados pelo CDS, o PS votou contra 76%, não permitindo que muitas medidas necessárias ao país fossem aprovadas", destacam. E dão como exemplo o aumento das pensões mínimas, a reposição no quociente familiar no IRS, bonificação por deficiência no abono de família, a criação do estatuto do cuidador informal, o crédito fiscl extraordinário ao investimento, a redução da taxa do IRC e a eliminção do aumento dos impostos sobre produtos petrolíferos, a perda de nacionalidade portuguesa a quem tenha sido condenado por terrorismo, a criminalização de condutas contra os direitos dos idosos, apoios de apoio à floresta e aos agricultores afetados pelos incêndios de 2017.

Feitas as contas, os deputados centristas concluem assim que sempre tiveram "e continuarão a ter uma postura e uma atitude de compromisso para com os portugueses, o que lhe permite viabilizar medidas legislativas, independentemente dos seus autores".
Em contrapartida, o PS "por se ter comprometido com esquerda radical, faltou ao compromisso com o país, inviabilizou algumas medidas que algumas medidas que, apenas por serem originárias do CDS,não conseguiram ser aprovadas, tendo Portugal, e os portugueses, perdido com esse facciosismo e divisionismo".

Na sua intervenção, Assunção Cristas teve um elogio especial ao GP, "cujo trabalho nos enche de muito, muito orgulho".
Já Nuno Magalhães, no seu balanço sobre a atividade a bancada, sublinhou qur "O CDS é uma oposição firme e construtiva, liderou na denúncia deste Governo, liderou na oposição até na exigência e na transparência".
Destacando algumas áreas em que o CDS-PP fez denúncias e propostas alternativas -- como a saúde, a educação, a segurança social, a justiça ou a segurança -, Nuno Magalhães salientou, em especial, três momentos em que considera que o partido fez a diferença.
Em primeiro lugar, a exigência de levar a votos no parlamento o Programa de Estabilidade a apresentar em Bruxelas, o voto contra a alteração da lei do financiamento dos partidos e a única moção de censura ao Governo, por considerar que o Estado falhou às pessoas nos incêndios do verão passado. "O CDS continuará a fazer aquilo que, para qualquer grupo parlamentar da oposição, é essencial: denunciar o que está mal, tendo propostas alternativas e avançando temas do futuro", disse, assegurando, por outro lado, que o partido continuará firme nos seus valores do passado, sendo o único que já manifestou a intenção de votar contra qualquer projeto sobre a legalização da eutanásia.

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