Comunidade de "jovens políticos talentosos" inclui ministros

Tiago Brandão Rodrigues e Pedro Marques em conferência do Fórum Económico. Ministro da Educação quer "ajudar a definir prioridades" na Europa

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e o do Planeamento, Pedro Marques, foram convidados para uma conferência do Fórum Económico Mundial (FEM), em Viena (Áustria), como "novos líderes para a Comunidade Europa".

Num encontro, quinta e sexta-feira, que visou discutir "novas perspetivas" para o espaço europeu, Brandão Rodrigues e Pedro Marques - juntamente com outros "talentosos jovens políticos europeus" como os apelida o FEM - foram convidados entre decisores que ocupam lugares de relevo na política europeia.

Ao DN, o ministro da Educação preferiu sublinhar que "existindo esse diagnóstico relativo ao talento, ele estará certamente mais relacionado com o que a energia, a visão e o trabalho que decisores europeus relativamente jovens podem fazer no futuro mais ou menos próximo, além daquilo que já fizeram".

"Assumindo hoje responsabilidades nos nossos países, existe uma vontade e um horizonte, que partilho, que possamos e saibamos contribuir ainda muito mais, nos anos que aí vêm, para que os nossos países e a Europa encontrem melhores respostas aos complexos desafios que hoje enfrentam. Com isto é preciso também trabalhar na previsão e na antecipação dos desafios que vão enfrentar no futuro, que não serão certamente mais simples do que os de hoje", explicou-se ao DN.

Para Tiago Brandão Rodrigues, a sua participação - e a de Pedro Marques - neste fórum é vista "como um contributo de pessoas empenhadas em tentar ouvir, apreender, pensar e trabalhar com compromisso em novas ou renovadas soluções para velhos e novos problemas". O ministro disse que foi fazer perguntas - "e ajudar a definir prioridades".

"Neste momento há bem mais perguntas do que respostas na Europa, e é importante definir as perguntas prioritárias que têm de ser respondidas. Em todo o caso, algo que para mim é claro, e que pude partilhar, é que temos de ouvir mais os cidadãos, em toda a sua diversidade de interesses e percursos", completou.

Na véspera de partir para Viena, acossado internamente pela oposição, o ministro da Educação foi também orador na Web Summit (o único ministro a fazê-lo) em Lisboa. Mas recusa ver-se como um futuro líder em Portugal. Para já, é "alguém com um percurso internacional no mundo da investigação científica" que está "integralmente empenhado" no "contributo cívico" para que foi chamado por António Costa.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Arnaldo, Rui e os tuítes

Arnaldo Matos descobriu o Twitter (ou Tuiter, como ele dizia), em 2017. Rui Rio, em 2018. A ambos o destino juntou nesta edição. Por causa da morte do primeiro, que o trouxe à nostálgica ordem do dia, e por o segundo se ter rendido à tecnologia da transmissão de ideias que são as redes sociais. A política não nasceu para as ideias simples com as redes sociais. Mas as redes sociais vieram dar uma ajuda na rapidez ao passar as mensagens. E a chegar a mais gente. E da forma desejada, sem a, por vezes incómoda, mediação jornalística. É isso mesmo que diz, e sem vergonha, note-se, uma fonte do PSD, no trabalho sobre a presença de Rui Rio no Twitter. "É uma via para dizer exatamente o que pensa e dar a opinião, sem descontextualizações." O jornalismo como descontextualização. Ou seja, os políticos que aderem às redes sociais fazem-no no mesmo pressuposto da propaganda. E têm bons exemplos a seguir, como Trump, mestre nos 280 carateres que o ajudaram a ganhar eleições. Foi o Twitter que trouxe Arnaldo Matos das trevas da extrema-esquerda para o meio mediático. Regressou como fenómeno, não apenas pelas polémicas intervenções no velho partido, o MRPP, onde promoveu rixas, expulsou camaradas por desvios de direita, mas, sobretudo, pela excelente adaptação à forma que a tecnologia do Twitter lhe proporcionava para passar a sua mensagem política dura, rápida, cruel e, sim, simplista. Para quem não quer perder muito tempo com explicações, o Twitter é ideal. Numa prosa publicada na página do partido, Luta Popular, Arnaldo Matos fazia o que sabia fazer, doutrina, sobre o assunto. Dizia que as suas publicações, batendo "todos os recordes em Portugal", se tornavam "tão virais" que já nem ele as controlava E sem nenhum recuo ou consideração sobre a origem "capitalista" desta transmissão informativa queixava-se de as mensagens não serem vistas pelos "camaradas do partido". Resumindo: "Os tuítes são pequenas peças de agitação e de propaganda políticas, que permitem aos militantes do PCTP/MRPP manter uma informação permanente sobre a vida política nacional e internacional." Dizia também que este método "fornece uma enorme quantidade de temas que armam a classe operária para a difusão de opiniões que caracterizam os seus pontos de vista de classe". Ninguém diria melhor do que um "educador" de classe, operária ou outra, e nem mesmo Jack Dorsey ou Noah Glass ou Biz Stone, ou Evan Williams, os fundadores da rede social, a saberiam defender de forma tão eficaz. E enganadora. A forma como Arnaldo Matos usava o Twitter era um pouco menos benévola do que podia parecer destas palavras. Zurziu palavras simples e fortes contra velhos ódios: contra o "putedo" da esquerda, o "monhé" António Costa, os sociais-fascistas do PCP e, até, justificando ataques terroristas como os do Bataclan em Paris. Mandava boutades que no ciberespaço se chamam posts. E, depois, os jornalistas faziam o resto, amplificando a mensagem nos órgãos de comunicação social tradicionais. Na reportagem explica-se que o objetivo dos tuítes de Rui Rio é, também, que os jornalistas "peguem" nas mensagens e as ampliem. Até porque ele tem apenas cerca de três mil seguidores - o que não é pouco, tendo em conta a fraca penetração da rede em Portugal. Rio muda quando está no Twitter. É mais contundente e certeiro. Arnaldo Matos era como sempre foi, cruel e populista. Ambos perceberam o funcionamento das redes sociais, que beneficiam os políticos, mas prejudicam a democracia. Porque incentivam ao "tribalismo", juntando quem pensa igual e silenciando quem acha diferentes. Que contribuem para a diluição das mediações que leva com ela o pensamento, a crítica, e traz consigo a ilusão da "democracia direta" que mais não é do que outra forma de totalitarismo. Estas últimas ideias são roubadas da apresentação de Pacheco Pereira na conferência sobre o perigo das fake news organizada nesta semana pela agência Lusa. Dizia ele que não devemos ter complacência com a ignorância - que é a base do espalhar de notícias falsas. Talvez os políticos devessem ser os primeiros a temê-la, à ignorância.