Comportamento de condutor na origem do acidente que matou 12 portugueses

Relatório atribui ao comportamento do condutor Ricardo Pinheiro, na altura com 19 anos, a causa direta do acidente mortal em Moulins, França, em 2016

O comportamento "inadequado" e "perigoso" do condutor é a causa do acidente que matou 12 portugueses emigrados na Suíça, em Moulins, França. É esta a conclusão do relatório do Gabinete de Investigação de Acidentes de Transportes Terrestres francês.

O acidente mortal aconteceu no dia 24 de março, de 2016.

De acordo com o documento, o condutor Ricardo Pinheiro, na altura com 19 anos, não tinha visibilidade suficiente e, mesmo assim, "fez uma ultrapassagem em velocidade excessiva (a 105 km/h quando o limite era de 90 km/h)", num veículo "em estado deplorável".

As conclusões do relatório revelam que os pneus da carrinha Mercedes Sprint, bem como os do reboque, "tinham mais de sete anos e que os travões estavam desgastados em sobrecarga, ao transportar doze pessoas em vez de nove", refere a Lusa.

O Gabinete de Investigação de Acidentes de Transportes Terrestres francês refere também no documento que o condutor obteve a licença para conduzir um veículo com atrelado e peso superior a 750 quilos apenas dois dias antes do fatídico acidente, apesar de ter carta de condução desde 2014.

A carrinha colidiu frontalmente com um camião. Os 12 passageiros morreram

Ricardo Pinheiro afirmou na altura que conduzia regularmente a carrinha entre Portugal e a Suíça, por conta do tio Arménio Pinto, proprietário da carrinha.

Recorde-se que a carrinha partiu de Romont, na Suíça, por volta das 20 horas e devia ter chegado a Portugal perto do meio-dia a tempo dos emigrantes portugueses participarem nas celebrações da Sexta-feira Santa. O relatório conta que Ricardo Pinheiro "aproveitou a ultrapassagem de um autocarro, que seguia à frente, para iniciar a manobra que lhe tapou a visibilidade". A carrinha colidiu frontalmente com um camião. Os 12 passageiros morreram.

Os emigrantes portugueses eram de Oliveira de Azeméis, Trancoso e Cinfães do Douro.

Com Lusa

Exclusivos

Premium

história

A América foi fundada também por angolanos

Faz hoje, 25 de agosto, exatos 400 anos que desembarcaram na América os primeiros negros. Eram angolanos os primeiros 20 africanos a chegar à América - a Jamestown, colónia inglesa acabada se ser fundada no que viria a ser o estado da Virgínia. O jornal The New York Times tem vindo a publicar uma série de peças jornalísticas, inseridas no Project 1619, dedicadas ao legado da escravatura nos Estados Unidos. Os 20 angolanos de Jamestown vinham num navio negreiro espanhol, a caminho das minas de prata do México; o barco foi apresado por piratas ingleses e levados para a nova Jamestown. O destino dos angolanos acabou por ser igual ao de muitos colonos ingleses: primeiro obrigados a trabalhar como contratados e, ao fim de alguns anos, livres e, por vezes, donos de plantações. Passados sete anos, em 1626, chegaram os primeiros 11 negros a Nova Iorque (então, Nova Amesterdão) - também eram angolanos. O Jornal de Angola publicou ontem um longo dossiê sobre estes acontecimentos que, a partir de uma das maiores tragédias da História moderna, a escravatura, acabaram por juntar o destino de dois países, Angola e Estados Unidos, de dois continentes distantes.