Comandos. Próximo curso tem novos instrutores com formação específica

Exército vai implementar "múltiplas medidas de controlo" sistemático à evolução do curso e do estado de saúde dos recrutas.

O 128º curso dos Comandos vai ser conduzido por instrutores diferentes e sujeitos a formação específica prévia na Escola Preparatória de Quadros do Exército, disse o porta-voz do ramo ao DN.

O apoio ao médico presente no local do curso também passa a ser permanente, pois haverá outro clínico na retaguarda - em princípio no Centro de Saúde Militar de Coimbra - com quem, em caso de necessidade e via telefone ou ligação vídeo, poderá tirar dúvidas ou aconselhar-se sobre a melhor decisão a tomar, explicou o tenente-coronel Vicente Pereira.

Quanto à formação prévia que os instrutores vão passar a receber, ela envolve especialistas em várias áreas oriundos do Centro de Saúde Militar de Coimbra, da Academia Militar e do Centro de Psicologia Aplicada do Exército, adiantou Vicente Pereira.

Uma companhia de Comandos está ao serviço da ONU na República Centro Africana desde janeiro

O próximo curso dos Comandos inicia-se no dia 7 de abril e o Exército recebeu pouco mais de uma centena de candidaturas, tanto de civis (recrutamento externo) como de militares do ramo, que já estão a prestar provas de seleção.

"Queremos quebrar o mito de que a instrução dos militares Comandos tem de ir ao limite e sem rede" de suporte, sem no entanto retirar autonomia aos instrutores ou aligeirar o rigor da instrução, até porque "as provas físicas não mudaram", enfatizou o porta-voz do ramo.

Recorde-se que o 127º curso, iniciado em setembro, ficou marcado por duas mortes - uma no primeiro dia e outra uma semana depois - e múltiplos internamentos, que levaram à suspensão de novas edições. O sucedido levou à abertura de vários inquéritos internos e a uma investigação criminal que nesta altura já tem uma dezena de arguidos, bem como à revisão de alto a baixo a todos os procedimentos relativos ao curso.

Fazer com que a instrução dada aos mancebos seja dada da mesma forma, independentemente de quais os monitores envolvidos, e que eles estejam habilitados a detetar sintomas de excesso de esforço por parte dos instruendos são objetivos da formação a dar aos instrutores, indicou Vicente Pereira.

A aprovação do chamado referencial dos cursos foi um dos aspetos centrais dos trabalhos de revisão feitos pelo Exército, os quais envolveram, entre múltiplos aspetos, a definição dos procedimentos adequados ao desenvolvimento e organização do curso; a sua necessidade, âmbito, natureza ou duração - que passa de 12 para 16 semanas e de três para quatro fases, sendo a primeira dedicada a preparar os recrutas para as etapas seguintes (treino individual, de equipa e em grupo).

Ainda no plano do acompanhamento clínico dos instruendos, onde a gestão do esforço que lhes é pedido passou a ter importância crítica, o porta-voz do Exército realçou que o controlo sistemático dos níveis de toxicidade na urina passará a ser constante ao logo do curso e com especial incidência nos primeiros dias.

Relativamente às condições físicas dos instruendos, fontes do ramo envolvidas neste processo admitiram ao DN que possa ser alargado aos cursos de Comandos uma medida já em aplicação na Academia Militar.

O objetivo é reduzir as chamadas "taxas de atrição" - desistências - de candidatos nas fases iniciais do curso por falta de preparação adequada, deixando-os prosseguir de "forma condicional" mais algumas semanas, preparando-se adequadamente, para voltarem a repetir, já com caráter eliminatório, os mesmos testes e ou exercícios.

Vicente Pereira escusou-se a dar pormenores sobre essa possibilidade, argumentando que o importante é aplicar as medidas corretivas definidas e avaliar os resultados para consolidar todo o processo formativo.

Recorde-se que as alterações aprovadas foram basicamente cinco: um novo sistema de informação clínica (onde há acesso aos dados existentes no Hospital das Forças Armadas); provas de acesso, classificação e seleção mais específicas e exigentes; o citado referencial de curso; o aumento do controlo dos riscos ao longo do tempo - número máximo de horas de treino ou de litros de água em função dos diferentes níveis de temperatura e humidade locais - e também a referida formação adicional e específica dada aos instrutores.

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