Comandos. Cinco instruendos incorrem em processos disciplinares

Em causa alegada omissão, no concurso para os Comandos, de patologias clínicas diagnosticadas no hospital militar.

Os cinco militares a quem foram diagnosticadas patologias graves no Hospital das Forças Armadas (HFAR) incorrem em processos disciplinares se tiverem omitido essa informação aquando dos exames para o curso de Comandos, informou o Exército.

O porta-voz do ramo, tenente-coronel Vicente Pereira, disse esta terça-feira ao DN que os inquéritos em curso vão permitir saber se aqueles cinco instruendos assumiram - na declaração que assinaram - desconhecer as doenças que lhes tinham sido detetadas no HFAR e cujos dados estão abrangidos pela confidencialidade da relação médico-doente.

Um dos candidatos sofre de síndrome de Gilbert (doença hepática crónica de origem genética), outro tem uma doença cardíaca (genética) e antecedentes de epilepsia, o terceiro tem um tumor ósseo na bacia, o quarto tem duas hérnias discais e o último uma dismetria dos membros inferiores, segundo informações clínicas reveladas pela Renascença.

A confirmar-se que os referidos cinco instruendos assumiram desconhecer a existência daquelas patologias, não detetadas nos testes e exames clínicos realizados para admissão ao 127º curso de Comandos, eles incorrem em processos disciplinares, assumiu Vicente Pereira.

Uma das questões em aberto passa por saber se um militar deve ter um processo clínico único ou se, como ocorre agora, os dados registados nas consultas hospitalares (de natureza assistencial) devem manter-se confidenciais para os responsáveis da saúde operacional colocados nos quartéis e bases militares.

O 127º curso de Comandos, que terminou sexta-feira com apenas 23 dos 67 instruendos que o iniciaram a 4 de setembro, ficou marcado pela morte de dois candidatos - um no primeiro dia e outro uma semana depois - e o internamento hospitalar de uma dezena logo nos primeiros três dias devido a um "golpe de calor".

Conforme referido no despacho do Ministério Público, em pelo menos um dos cursos de comandos de 2015 houve vários instruendos a registar sintomas idênticos, aparentemente provocados pela restrição nas quantidades de água que eles foram autorizados a beber nas primeiras horas e dias da instrução.