"Com este orçamento não há país que seja sustentável"

PSD diz que as contas do governo "castigam as famílias e as empresas". CDS aponta "opção inacreditável" nas pensões

"Com este Orçamento não há país, não há economia, que seja sustentável." António Leitão Amaro, vice-presidente da bancada do PSD, usou um adjetivo simples para qualificar o Orçamento: "É mau." Ou, por outras palavras, "é um pacote de aumento de impostos" com "não uma, não duas, não três, mas pelo menos 12 cargas" de impostos em áreas tão variadas como "habitação, veículos, bebidas alcoólicas, combustíveis, alojamento local, tabaco ou balas".

"O país anda três anos para trás. A economia cresce menos em 2017 do que cresceu em 2015", criticou o dirigente social-democrata, acrescentando que no próximo ano os portugueses vão pagar mais 3,6 milhões de euros em impostos e contribuições do que pagaram em 2015". Para o PSD o Orçamento "não tem rumo, não tem estratégia, gere apenas o curto prazo". E "volta a fazer o erro de aumentar a despesa corrente".

Pelo CDS, Assunção Cristas reagiu a partir de Bragança afirmando que abriu a "caça ao contribuinte", com o Orçamento para o próximo ano a manter uma "austeridade à la esquerda" e a "ir buscar dinheiro a todo o lado". A líder centrista acusou António Costa de não cumprir as promessas, nomeadamente na questão da sobretaxa de IRS, dado que "há uma manutenção da sobretaxa ao longo de todo o ano".

No Parlamento, Cecília Meireles atacou o "incumprimento de promessas e o que diz também ser um "aumento de impostos" nas contas públicas para o próximo ano. "O próprio governo reconhece no documento que, no balanço das novas medidas fiscais, os contribuintes vão pagar mais 140 milhões de euros". E, referindo-se ao aumento anunciado pelo ministro das Finanças, a deputada criticou a "opção inacreditável de deixar de fora [do aumento de dez euros] as pensões mínimas, sociais e rurais". No início do próximo ano todas as pensões vão ser atualizadas ao valor da inflação. Em agosto haverá uma atualização extraordinária para as pensões entre 275 até 638 euros, que "não tiveram aumentos no período de ajustamento".

O diabo não foi avistado no SEF

Durante a manhã, no debate quinzenal no Parlamento, Passos Coelho acusou António Costa de andar a discutir ficção. O debate com os sociais-democratas não chegou às contas para 2017- o líder do maior partido da oposição concentrou-se nas previsões do governo para 2016. "As suas previsões deviam ser muito boas, mas o rendimento das famílias estava sempre a diminuir e neste ano o rendimento das famílias aumentou", retorquiu Costa, que por três vezes chamou ao debate... o diabo. O dito ganhou uma entrada permanente no léxico político português, depois de Pedro Passos Coelho ter afirmado que "vem aí o diabo em setembro". "Não o vemos nos balcões do SEF a pedir visto de entrada em Portugal", atirou ontem o primeiro-ministro, dizendo a Passos que "o seu sucesso depende do insucesso do país".

Mas o momento colorido da manhã parlamentar foi do CDS, com Assunção Cristas a entregar a Costa três gráficos (com a variação homóloga do PIB, as exportações e o investimento) embrulhados num laço cor-de-rosa. Resposta do primeiro-ministro: "Vejo que guardou o vermelho mais rubro para o PCP e mantém o PS com o devido tom cor-de-rosa, o que agradeço." O tom já foi bastante mais ríspido depois de Assunção Cristas ter acusado o governo socialista de estar a fazer um "ataque aos serviços públicos". "Tenho de lhe dar um prémio, porque me conseguiu surpreender", afirmou o primeiro-ministro, dizendo que a líder do CDS "depois de ser campeã da lavoura, quer ser campeã da despesa pública". "Senhora deputada, olhe, nem sei que lhe diga", atirou Costa entre o atónito e o irritado.

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Anselmo Crespo

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