Com 350 empresas afetadas, défice não é uma preocupação

Empresas têm danos de 360 milhões de euros. Costa diz que défice não pode ser obessão: "A prioridade é reconstruir o país"

Os números não são definitivos. A tese governamental parece sê-lo. Quando existem pelo menos 350 empresas afetadas pelos incêndios que devastaram o país na semana passada, o cumprimento da meta do défice torna-se "a última das preocupações" do governo. A garantia voltou a ser feita ontem pelo primeiro-ministro, António Costa, ao mesmo tempo que o secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson de Souza, revelou os números do impacto da tragédia no tecido empresarial nacional.

"Perto de 350 empresas sofreram danos (algumas delas totalmente, outras parcialmente). O total dos estragos apurados anda a volta de 360 milhões de euros (com incidência muito forte aqui na região centro)", revelou o secretário de Estado, em Coimbra, à saída de uma reunião de trabalho na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), com a presença do primeiro-ministro, António Costa, da presidente da CCDRC, Ana Abrunhosa, e dos ministros adjunto, Pedro Siza Vieira, da Administração Interna, Eduardo Cabrita, do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, e da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

Nelson de Souza sublinhou que o levantamento definitivo dos danos provocados pelos incêndios de 15 e 16 de outubro ainda não está concluído - poderá levar mais uma a duas semanas. E explicou as prioridades do governo neste momento: "Repor aquilo que existia; manter e criar condições para que os investimentos em curso sigam o seu caminho; e atrair novo investimento, que crie uma dinâmica de esperança para estes territórios, que se viram tão fortemente abalados."

Para isso, existem as medidas de auxílio às empresas - "um apoio a fundo perdido de cem milhões de euros; uma linha de crédito de cem milhões de euros, com garantia pública de 80%; e dois mecanismos para atrair novos investimentos, no valor de 80 milhões de euros" -, já parcialmente conhecidas desde o Conselho de Ministros de sábado e ontem enunciadas pelo primeiro-ministro. "O conjunto destes instrumentos fica disponível a partir de 6 de novembro (a linha de crédito só na semana seguinte, porque implica a articulação com o sistema financeiro)", explicou António Costa, sublinhando que "são elegíveis os investimentos feitos desde a data do incêndio".

"A reativação da atividade económica [das zonas afetadas pelos incêndios] é absolutamente central", frisou o primeiro-ministro, lembrando que isso é meio caminho para evitar que as regiões afetadas sejam ainda mais ostracizadas - "se as empresas não voltarem a funcionar, a economia para; se a economia parar, os empregos perdem-se; se os empregos se perderem, a fixação da população perde-se... e aquilo que está desertificado mais desertificado fica", resumiu.

Agora, o cumprimento da meta do défice passa para segundo plano - até por haver a garantia da Comissão Europeia de que estas despesas (de "custos de emergência a curto prazo") poderão não contar para esse cálculo. O défice "tem de ser a última das nossas preocupações: toda a gente sabe que temos de manter uma trajetória de consolidação orçamental, mas não podemos ter uma obsessão, quando a prioridade, neste momento, é obviamente reconstruir o país", sublinhou o primeiro-ministro.

Assim, o foco está na reconstrução. E, do caderno de encargos da reunião na CCDRC, António Costa leva também outra nota, "sobre a necessidade de os parques industriais terem outra estruturação, outra resiliência, para estarem protegidos perante qualquer tragédia".

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