Colocação de professores e falta de pessoal no melhor e pior do primeiro período

A colocação mais eficiente dos docentes, graças ao fim das bolsas de contratação de escola (BCE), é o aspeto mais destacado pelos representantes do setor no balanço do primeiro período de aulas, que terminou na passada sexta-feira. Pela negativa, é destacada a falta de pessoal auxiliar.

"Apesar de um ou outro sobressalto, que ainda há, a colocação de professores foi a principal medida, a que se notou mais nas escolas", diz ao DN Filinto Lima, presidente da Associação nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP). "A colocação dos professores e a sua substituição", acrescenta. "Tivemos já algumas substituições no primeiro período, devido a situações normais, como atestados médicos, e foram céleres".

A opinião é subscrita por João Dias da Silva, da Federação Nacional de Educação (FNE): " É um ano letivo que começa sem a bolsa de contratação de escola, que era um fator de perturbação e de fortíssima injustiça, que complicava todos anos o arranque das aulas e as colocações dos professores", recorda.

Também Jorge Ascensão, da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) destaca este ganho de "tranquilidade" no regresso às aulas, fazendo votos para que passe a ser a regra: "Este ano houve de facto mais tranquilidade e esperamos que seja possível manter essa linha. Tivemos uma contratação de professores mais célere, mais atempada. O que se espera é que o novo ano se inicie assim".

Serviços ameaçados

A carência de assistentes operacionais na rede pública é o "reverso da medalha" apontado por Filinto Lima, para quem as medidas do ministro da Educação, (ver entrevista) foram insuficientes: "Apesar de ter dado a 84 escolas, no universo de 811, 300 contratos para assistentes operacionais, [isso] foi uma gota no oceano", considera. "O ministério deve colocar os assistentes operacionais em falta, e são centenas, nas escolas. É uma medida política que já devia ter sido tomada de há uns anos a esta parte, que todos os anos pedimos. Fazem muita falta estes assistentes operacionais nas escolas".

"[Sabemos] o que isto representou em termos de trabalho e de sobrecarga de trabalho para as pessoas que estão nas escolas", concorda Dias da Silva: "Incapacidades no apoio aos alunos. Houve serviços que não funcionaram ou que funcionaram em horários mais curtos".

Jorge Ascensão também lamenta "o número reduzido" de funcionários e "algumas falhas" que essa carência gerou. Mas acrescenta também preocupações relativas à "oferta da rede", nomeadamente as "turmas mistas", combinando vários anos de escolaridade. "Sabemos que têm sido a solução para o decréscimo demográfico mas é necessário encontrar alternativas de maior qualidade", diz.

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