Coletividade histórica em dificuldades com aumento das rendas

Academia Recreio Artístico ocupa as instalações há mais de 100 e agora paga 1300 euros de renda. É a segunda coletividade mais antiga do país

A Academia Recreio Artístico, na Baixa lisboeta, está a sofrer com o aumento do valor das rendas na cidade, uma "asfixia" que coloca a segunda coletividade mais antiga de Portugal em risco de "ter de fechar portas".

O presidente do espaço, Armando Oliveira, disse à Lusa que a coletividade, na freguesia de Santa Maria Maior, "sofreu e está a sofrer as consequências drásticas de um aumento inusitado de rendas", com valores que rondavam os 400 euros e que aumentaram para o atual montante de 1300 euros.

Segundo o representante, hoje é imperativo conter custos, uma vez que os auxílios "são praticamente inexistentes" e que as receitas da Academia Recreio Artístico "não se compadecem com uma renda deste tipo". A coletividade, sublinhou, ocupa as instalações "há mais de 100 anos" e "tem uma história de tradição e cultura muito grandes".

"Nós temos acima de tudo de inventar receitas e reduzir os custos. Nós não gastamos um cêntimo além daquilo que é absolutamente imprescindível para a casa conseguir manter aquilo que é o seu objeto social. E por outro lado, fazemos de todo o cêntimo a nossa receita", explicou.

O dirigente notou que "a exploração do bar, as aulas de zumba, as aulas de capoeira e de tango" são algumas das atividades que geram alguma receita, mas que ainda assim não é suficiente.

"Já tentámos sondar a junta de freguesia e a câmara para arranjar uma alternativa, mas na câmara, apesar de ser a grande senhoria da cidade de Lisboa, ninguém está interessado em resolver o nosso problema. Todos lamentam, compreendem, dão palmadinhas nas costas, dão-nos palavras de incentivo, procuram votos na altura das eleições, mas contribuir para a resolução de um problema de uma coletividade deste tipo, com todo este passado histórico, ninguém está interessado", criticou.

Todos lamentam, compreendem, dão palmadinhas nas costas, dão-nos palavras de incentivo, procuram votos na altura das eleições, mas contribuir para a resolução de um problema de uma coletividade deste tipo, com todo este passado histórico, ninguém está interessado

A coletividade conta neste momento com "uma pequeníssima ajuda da junta de freguesia de 210 euros por mês", afirmou Armando Oliveira, acrescentando que, além dos aumentos anuais no valor das rendas, "o senhorio pode opor-se à renovação do contrato daqui a oito anos, eventualmente, que é o prazo legal".

Apesar de haver menos pessoas a frequentar a associação e a viver na zona histórica de Lisboa, Armando Oliveira está convicto de que a Academia Recreio Artístico continua a cumprir "o seu dever, que é apoiar a cultura, o recreio, e proporcionar uma vida sã a todos os que frequentam o espaço".

"Nós cá estamos, firmes e determinados, mas a firmeza e a determinação, se não houver condições económicas, não chegam", concluiu.

Ler mais

Exclusivos