Colégios privados. Manifestação ruidosa à porta do Congresso do PS

É uma concentração de professores e trabalhadores de colégios privados com contratos de associação que acusam o Governo de os atirar para o desemprego.

Algumas dezenas de professores e trabalhadores dos colégios privados com contratos de associação concentraram-se esta manhã em frente à FIL, no Parque das Nações, onde decorre o 21.º Congresso do PS, produzindo uma barulheira ensurdecedora com cornetas e vuvuzelas. Os manifestantes iniciaram o protesto, à passagem da secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, exibindo faixas, que questionam a legitimidade do Governo, por exemplo, e gritando "Liberdade!".

Transportam cartazes onde se lê "O PS está refém dos partidos de esquerda" ou "O Bloco é quem ordena no PS" ou "Bem-vindos ao congresso da extrema-esquerda". Numa faixa um pouco maior lê-se: "PS = responsável pelo maior despedimento coletivo da nossa história". Numa outra pergunta-se: "A dra Leitão [secretária de Estado] quer escola pública para todos, menos para as suas filhas. Porquê?". Num dos cartazes lia-se "Costa a rameira da esquerda" e um outro dizia "Costa, não te esqueças que perdeste as eleições".

Em declarações aos jornalistas, João Paulo Moinhos, da Associação de Professores de Escolas Privadas com Contratos de Associação, acusou o Governo de, "a dois meses do fim das aulas, de forma intencional a destruição de projetos educativos, de milhares de alunos, sem se perguntar aos pais, às escolas, às câmaras, aos agentes de comércio local".

Sobre o cartaz que acusa Costa de ser "rameira da esquerda", o porta-voz dos manifestantes, disse que ia contra ao protesto "com dignidade", mas sempre adiantou, "sem querer justificar", que "as pessoas estão revoltadas e angustiadas com o facto de, em setembro, já não terem sustento para as suas famílias". "Temos que compreender neste contexto."

Para este professor, o Ministério da Educação devia ter ponderado as coisas com outro tempo. Segundo João Paulo Moinhos, devia ter dialogado em primeiro "os agentes envolvidos, nomeadamente as autarquias, com as escolas com quem fizeram contratos de associação e depois tentar perceber como é que podiam acabar com os contratos de associação".

O professor questionou que seja usado o critério de proximidade de escolas de ensino público, pedindo antes que seja tida em conta a qualidade do ensino de cada escola, seja privada ou pública.

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