CIP defende "encosto" dos feriados. CGTP e Igreja recusam

O Governo mostrou-se disponível para debater a mobilidade dos feriados de forma a colá-los aos fins de semana

O ministro do Trabalho e da Segurança Social admitiu hoje, em declarações à TSF, a possibilidade de debater a mobilidade de alguns feriados, de forma a colá-los ao fim de semana. Uma discussão que, defendeu, estaria dependente de vários fatores e deveria ser feita em sede de concertação social.

Questionado sobre estas declarações, António Saraiva, presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal, recordou que a alteração de feriados tem sido defendida pela confederação há algum tempo.

"É para nós útil que se possa fazer este encosto dos feriados, não de todos, porque alguns têm carga religiosa e nacional", afirmou António Saraiva, mostrando abertura, tal como o ministro do Trabalho, para que a alteração se limite apenas a algumas datas.

"Não vamos dizer que o dia de Natal deve ser alterado. Há datas que devem ser respeitadas. Há, contudo, um conjunto de outros feriados variáveis que, na nossa perspetiva, devem ser encostados aos fins de semana, e é desses, e só desses, que estamos a falar", advertiu.

Em declarações hoje à TSF, a CGTP e a Conferência Episcopal rejeitaram esta intenção do patronato, suportada pelo Governo, de alterar o calendário de feriados.

Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, defendeu que "os feriados, pelo seu significado político, religioso e cultural devem ter lugar nos dias que estão determinados". "Não nos parece que encostar os feriados ao fim de semana vá beneficiar de alguma forma a competitividade das empresas", considerou.

O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, o padre Manuel Barbosa, defendeu à TSF que não faz sentido juntar os feriados ao fim de semana. "No que toca aos feriados religioso não faz sentido fazer essa deslocação", afirmou.

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