Líder das secretas alerta para crescente ameaça do ciberterrorismo

Responsável do Sistema de Informações da República Portuguesa alertou para a crescente ameaça do ciberterrorismo, e tomou como exemplo da propaganda do Estado Islâmico

A secretária-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Graça Mira Gomes, defendeu esta quinta-feira em Coimbra que a cibersegurança deve de ser encarada como um eixo fundamental da sociedade e não como uma mera questão técnica.

"A cibersegurança deverá ser encarada como um eixo fundamental da sociedade e do setor económico e não mais como uma mera questão técnica", afirmou Graça Mira Gomes, que falava no C-DAYS, evento anual organizado pelo Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), que decorre este ano em Coimbra.

Para a responsável do SIRP, face à crescente "insegurança no ciberespaço", os Estados têm de se adaptar a novas ameaças e riscos, sendo que este novo ambiente exige dos serviços de informações, mas também dos outros serviços e autoridades, "uma coordenação permanente", sustentada na partilha de dados em tempo real, assim como um reforço de cooperação no plano internacional.

Durante o discurso, Graça Mira Gomes chamou a atenção para a crescente ameaça do ciberterrorismo, apontando para o caso do grupo extremista autoproclamado Estado Islâmico, que utiliza o espaço digital para ações de recrutamento, organização e expansão da sua ideologia.

Os agentes que "praticam atos criminosos e de matriz terrorista são numerosos e com capacidades técnicas complexas", o que dificulta a sua identificação, bem como a origem geográfica do ciberataque

Sendo fundamental a "identificação inequívoca do agente" para se poder classificar um crime de terrorismo, o ciberespaço apresenta novas dificuldades, onde até grandes especialistas podem não conseguir identificar com precisão a origem do ato criminoso, notou.

A fronteira entre um grupo de 'hackers' criminosos, terrorismo ou um ataque patrocinado por um Estado concorrente é, na maioria dos casos, quase impercetível

Nesse sentido, "a ausência de monitorização não é mais uma opção. É, pelo contrário, imperativa", referiu, defendendo uma resposta adequada das autoridades nacionais a estas novas ameaças e novas tipologias de ataques.

Recordando as palavras do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, Graça Mira Gomes realçou que "a cibersegurança é tão importante hoje como a tradicional defesa militar".

O C-DAYS, que decorre na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, termina esta quinta-feira

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