Chefe do Estado-Maior do Exército alvo de queixa-crime

General Rovisco Duarte é acusado de "manobra para 'salvar a face' do Exército", noticia o jornal Público

O tenente-coronel Mário Maia, diretor do curso dos Comandos que resultou na morte dos recrutas Hugo Abreu e Dylan da Silva, em 2016, e um dos principais arguidos neste processo, apresentou uma queixa-crime contra o chefe de Estado-Maior do Exército (CEME), general Rovisco Duarte, avança hoje o jornal Público.

A participação criminal foi entregue à procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, em agosto do ano passado. "A queixa é apresentada porque se verificou que o CEME ignorou uma denúncia feita em fevereiro de 2017", diz ao diário o advogado do queixoso.

Segundo a denúncia, o coronel Dores Moreira (que foi comandante do Regimento dos Comandos até Junho passado) terá entregue à investigação do Departamento de Investigação e Ação Penal um guião "falso" da chamada Prova Zero, indicando que os instruendos poderiam beber até cinco litros de água por dia, isto quando o guião disponibilizado aos instrutores para a formação indicava que o limite seriam três.

Numa carta enviada à procuradora-geral da República e da qual dá conhecimento ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, ao ministro da Defesa, à juíza de instrução do processo e ao bastonário da Ordem dos Advogados, o representante legal do queixoso refere "a sensação de a falsificação ter sido uma manobra para 'salvar a face' do Exército" e defende que "não se pode, nem se deve pactuar com a prática de crimes, com a agravante de se visar enganar o sistema de justiça ()" apontando para os inferiores hierárquicos "o ónus da incompetência das chefias militares que, há muito, têm obrigação de saber que a logística de apoio à formação de militares dos Comandos tem falhas graves e inaceitáveis".

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