Champalimaud já entregou oito milhões para a luta contra a cegueira

Premiados deste ano são organizações que trabalham no terreno. Cerimónia é nesta tarde no edifício da fundação, em Lisboa.

Numa das suas viagens, um casal de portugueses que vive na Índia foi abordado num local remoto do estado de Tamil Nadu por um homem que lhes disse que "agora podia ver por causa do país daquela bandeira", que tinham na mota, onde se deslocavam. A história é contada ao DN pela presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, que acredita que este testemunho "ilustra a missão da fundação e deste prémio: somos uma fundação portuguesa, dedicada a Portugal, mas com uma vocação universal. Julgo que, assim, cumprimos António Champalimaud e o seu desejo". O prémio a que se refere é o Champalimaud da Visão, que é atribuído desde 2007 e que já entregou oito milhões de euros à luta contra a cegueira.

É o maior prémio do mundo na área da visão e nesta tarde entrega mais um galardão, atingindo assim os nove milhões de euros dados a investigadores e a instituições que no terreno combatem os problemas de visão.

Neste ano, os vencedores, que só hoje serão conhecidos, são organizações que trabalham junto das populações. O prémio, que foi criado para "mudar as coisas", é distribuído nos anos ímpares a instituições e nos anos pares a investigadores.

Até à data têm sido sempre instituições e investigadores estrangeiros os galardoados com esta distinção que hoje vai ser entregue no auditório ao ar livre da fundação e mais uma vez na presença do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

No ano passado, a descoberta de uma terapia eficaz para o tratamento das duas principais causas da cegueira no mundo - a degenerescência macular relacionada com a idade e a retinopatia diabética - valeu a sete investigadores a divisão de um milhão de euros.

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