CGTP alerta para despedimentos no Metro de Lisboa e Carris. Governo nega

A CGTP diz ter recebido um ofício do Ministério da Economia que dava um prazo de cinco dias para a organização se pronunciar sobre a redução de trabalhadores nos transporte de Lisboa.

O secretário-geral da CGTP-IN revelou esta quinta-feira que o Governo vai despedir trabalhadores na Carris e no Metropolitano de Lisboa, o que foi já negado pelo Ministério da Economia.

"Ontem [quarta-feira], a CGTP recebeu um ofício do Ministério da Economia a dar cinco dias para nos pronunciarmos sobre a redução de trabalhadores na Carris e no Metro", disse Arménio Carlos no plenário de trabalhadores do Metropolitano de Lisboa que se realizou ao fim da manhã.

Segundo o sindicalista, a Transportes de Lisboa está a "dinamizar todo um processo para pôr algumas centenas de trabalhadores na rua, agora sob o efeito da denominada rescisões por mútuo acordo".

Questionado pelos jornalistas, Arménio Carlos disse ainda que o Ministério não identifica no documento o número de trabalhadores a dispensar.

Contactada pela Lusa, fonte do Ministério da Economia esclareceu que não vão ser dispensados trabalhadores e que a situação a que o secretário-geral da CGTP se refere decorre de um procedimento habitual nas empresas.

A mesma fonte explicou que "todos os anos as empresas podem fazer até 80 rescisões amigáveis com trabalhadores que estejam próximos da reforma".

"Este ano, essa quota foi superada [por vontade dos trabalhadores] e, daí, resulta o documento enviado à CGTP", acrescentou.

A agência Lusa tentou também contactar com a Transportes de Lisboa, que gere o metro e a Carris, mas até ao momento não foi possível obter esclarecimentos.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Adolfo Mesquita Nunes

A direita definida pela esquerda

Foi a esquerda que definiu a direita portuguesa, que lhe identificou uma linhagem, lhe desenhou uma cosmologia. Fê-lo com precisão, estabelecendo que à direita estariam os que não encaram os mais pobres como prioridade, os que descendem do lado dos exploradores, dos patrões. Já perdi a conta ao número de pessoas que, por genuína adesão ao princípio ou por mero complexo social ou de classe, se diz de esquerda por estar ao lado dos mais vulneráveis. A direita, presumimos dessa asserção, está contra eles.