César espera confluência entre Presidente e Governo "para o resto da legislatura"

O presidente do Partido Socialista desvaloriza notícias sobre má relação entre Belém e São Bento

A suposta dissonância entre o Presidente da República e o Governo, a propósito da tragédia dos incêndios, foi esta sexta-feira comentada pelo presidente do PS, Carlos César, que desvalorizou a questão e sublinhou o clima de "cooperação" que tem existido entre os dois órgãos de soberania.

"Creio que as relações entre governo e a presidência da república são boas, que se têm afirmado nestes últimos dois anos pela qualidade da estabilidade política e da cooperação, que tem sido patente perante todos os portugueses", afirmou César, nos Açores, onde acompanha a visita de Marcelo Rebelo de Sousa ao arquipélago. "Isso não quer dizer que não existam sensibilidades sobre este ou aquele tema em que os órgãos de soberania possam divergir. Mas, no essencial, creio que um dos valores da democracia portuguesa, neste seu ciclo mais recente, é precisamente a conjugação de vontades entre a Presidência da República e o governo, que muito tem contribuído para o ajustamento de políticas e para a estabilidade", disse.

Uma relação de cooperação institucional que, sublinhou, tem sido permanente ao longo "dos setecentos e tal dias destes dois anos" e que, prevê, "teremos para o resto da legislatura".

Para César, a diferença nas reações públicas perante a tragédia dos incêndios entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa deveu-se "às suas funções e no desempenho das suas competências próprias".

"O Presidente da República estava envolvido no desgosto e na emoção que todos os portugueses sentiam, como o Governo também. É natural que o Governo estivesse mais concentrado naquilo que materialmente era possível fazer e é natural que o Presidente da República estivesse mais concentrado na afetividade e no apoio moral que era preciso dar a todos os portugueses numa circunstância tão difícil", disse o presidente do PS.

"O que eu sinto no nosso país, como presidente do Partido Socialista, como responsável do grupo parlamentar do PS, como uma pessoa que tem proximidade em relação ao Governo e com ele fala todos os dias, é que este valor da cooperação entre o Presidente da República e o governo é muito importante para a nossa vida política e para o sucesso que o país tem de ter. E sinto que, quer o Presidente quer o primeiro-ministro, comungam dessa necessidade e apercebem-se de que essa colaboração é essencial", acrescentou.

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