Centeno com votos suficientes para ser eleito líder do Eurogrupo

Para conseguir o lugar que nos últimos anos foi de Jeroen Dijsselbloem, o ministro português das Finanças terá de ter pelo menos dez votos. O que já estará garantido

As contas que se faziam ontem na reunião, em Lisboa, do Conselho do Partido Socialista Europeu (PSE) indicavam uma maioria suficiente para Mário Centeno ser eleito na segunda-feira presidente do Eurogrupo (o organismo que junta os ministros das Finanças dos 19 países do euro).

Se Mário Centeno não se esquecer de votar nele próprio, terá pelo menos dez votos a favor: a somar ao seu, os dos ministros das Finanças da Alemanha, França, Espanha, Itália, Grécia, Chipre, Bélgica, Malta e Áustria (cujo apoio foi ontem revelado pelo respetivo chefe de governo, Christian Kern, quando entrava para um jantar na sede nacional do PS, no Largo do Rato, em Lisboa, para o qual António Costa convidou alguns dos principais dirigentes participantes no Conselho do PSE).

Ontem, questionado à entrada desse jantar sobre se contava com o apoio da Alemanha a Centeno, Costa respondeu de forma categórica: "Claro!" Ao mesmo tempo, adiantou que Centeno é o "candidato oficial" do Partido Socialista Europeu à liderança do Eurogrupo - apesar de haver um outro candidato da mesma família política, o ministro das Finanças da Eslováquia, Peter Kasimir.

Mário Centeno enfrenta ainda as candidaturas do ministro das Finanças do Luxemburgo, Pierre Gramegna, e da ministra das Finanças da Letónia, Dana Reizniece-Ozola (ambos pertencem à família europeia dos liberais). Basta uma maioria simples - ou seja, dez dos 19 votos. Se ninguém obtiver essa maioria numa primeira volta, a votação será repetida, sendo dada aos candidatos menos votados a oportunidade de retirarem a candidatura. O resultado será anunciado no fim da reunião, havendo logo a seguir uma conferência de imprensa do novo presidente. O mandato será de dois anos e meio.

Costa também tem estas contas - e eventualmente até outras, ainda mais favoráveis a Centeno - mas continua a recusar, em público, dar já a vitória como garantida, embora afirmando-se "confiante". Ontem reiterou que a candidatura do seu ministro das Finanças "é excelente para a Europa e para ajudar a zona euro a ser amiga do emprego, do crescimento e da estabilização das finanças públicas, virando uma página de divisões e de confrontações". "É necessário aprofundar o mercado do emprego, o crescimento, mas também com boas finanças públicas", afirmou.

O primeiro-ministro também desvalorizou os avisos do Presidente da República, que, anteontem, aconselhou Centeno a manter-se focado no seu cargo nacional ("o fundamental é que, enquanto ministro das Finanças de Portugal, garanta o caminho e a gestão das finanças portuguesas de modo a merecer, como mereceu, aparentemente, ou pode vir a merecer, o aplauso e o apoio da Europa").

Marcelo disse o "óbvio"

Costa reduziu as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa à condição de banalidade: "Óbvio! Quem é ministro das Finanças tem de estar concentrado nas finanças nacionais. Faz parte da arquitetura europeia que o presidente do Eurogrupo não deixe de ser ministro do seu país. É mesmo uma condição."

Na reunião do Conselho do PSE, o eurodeputado Pedro Silva Pereira fez campanha por Centeno dizendo que este representa uma "alternativa" ao pensamento dominante que diz que "não há alternativa" às políticas austeritárias com que a direita enfrentou a crise do euro. Quando "não há alternativas, não há democracia" - e Centeno representa o contrário disso, afirmou.

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