Centenas acompanham funeral de jovem Rúben

Centenas de pessoas acompanharam hoje o funeral do jovem da Bela Vista que morreu no sábado na sequência de um despiste durante uma perseguição policial, na zona das Manteigadas, em Setúbal.

Dezenas de jovens apresentaram-se no funeral trajando camisola branca com a imagem do jovem Ruben, de 18 anos.

Na missa de corpo presente, realizada na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, de onde saiu o funeral para o cemitério de Algeruz, o padre Constantino lamentou que a Bela Vista estivesse uma vez mais de luto e que a violência tivesse regressado àquele bairro social.

A morte do Ruben, no passado sábado, devido ao despiste do motociclo em que tentava fugir à polícia, levou dezenas de jovens a provocarem diversos atos de vandalismo, um pouco por todo o bairro da Bela Vista.

A revolta de diversos grupos jovens começou logo que surgiram os primeiros rumores de que o Ruben teria sido atingido mortalmente por dois disparos efetuados por um agente da PSP durante a perseguição.

A autópsia, efetuada na segunda-feira, revelou, no entanto, que o corpo do jovem não tinha alojado nenhum projétil nem tinha sinais de que pudesse ter sido atingido pelos disparos da polícia.

A morte do jovem Ruben continua sob investigação do Ministério Público e da Inspeção Geral da Administração Interna, entidade que anunciou a abertura de um inquérito à atuação da polícia.

Depois dos incidentes de sábado à noite, em que foram incendiados vários contentores de lixo e assaltado um autocarro dos TST (Transportes Sul do Tejo), o bairro da Bela Vista parece ter regressado à normalidade.

Para prevenir novos incidentes, a PSP deverá manter por mais alguns dias o reforço do dispositivo policial na esquadra do bairro.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.