Cemitério da Grande Guerra está ao abandono, diz PSD. General desmente

Presidente da Liga dos Combatentes garante que cemitério militar português e monumento em França estão cuidados

O PSD quer "medidas urgentes" para recuperar o cemitério militar português de Richebourg (França) da "situação de abandono em que se encontra". Mas o presidente da Liga dos Combatentes (LC) desmente categoricamente esse retrato e pergunta se "o PSD não sabe o que fez no governo" sobre isso entre 2011 e 2015.

"É absolutamente anacrónico dizer isso", contesta o general Chito Rodrigues ao DN, quando questionado sobre o projeto de resolução em que o PSD considera "urgente proceder a um conjunto de intervenções" para corrigir "a situação de abandono em que se encontra" aquele cemitério e o monumento de La Couture, nas proximidades e que homenageia os militares portugueses mortos na I Grande Guerra.

Joel Sá, deputado do PSD, explica ao DN que na base do texto - em que o Parlamento "recomende ao Governo que tome as medidas urgentes" para recuperar e valorizar aqueles locais - está um documentário a exibir em março em Barcelos, donde é natural, sobre o papel dos barcelenses (e dos portugueses em geral) na guerra de 1914-18.

No documentário feito há meses pelo historiador Penteado Neiva e o jornalista Alberto Serra, diz Joel Sá, "constata-se que o cemitério está mais ou menos cuidado ao nível da relva mas as raízes das árvores já levantam campas, há nomes que não estão percetíveis, a bandeira estava num estado lastimável, o cemitério deixou de ter guarda...".

Perante o teor do projeto de resolução do PSD, o general Chito Rodrigues reage com indignação e lembra que o Presidente da República - acompanhado pelo primeiro-ministro - esteve em Richebourg no passado 10 de Junho e então foi possível ver que o local está cuidado. Quanto ao monumento de La Couture, do escultor António Teixeira Lopes e inaugurado a 10 de novembro de 1928, "está impecável" após a limpeza feita pela autarquia local há cerca de quatro anos.

Chito Rodrigues reconhece que há placas tumulares onde os nomes inscritos estão a ficar ilegíveis com a erosão do tempo em pedras que são porosas. "O problema está estudado" e pressupõe a sua substituição por pedra local, assume o general, mas o projeto coloca dificuldades de natureza financeira e estética.

"Vamos ter umas campas de pedra nova no meio das outras? Para substituir umas, teria de substituir todas e nem um milhão de euros chegaria" para esse efeito, refere o presidente da LC. Certo é que o orçamento para manter e cuidar daquele cemitério (por uma empresa local) ronda os 15 mil euros anuais e, só no portão, foram gastos cerca de 200 mil euros nos últimos anos, acrescenta.

Note-se que a LC desenvolve há anos um projeto intitulado "Conservação das Memórias", no âmbito do qual se procuram identificar, recuperar e cuidar dos militares mortos na guerra colonial. Além desses cemitérios e ossários, bem como os de Richebourg e Bologne (britânico), Chito Rodrigues lembra que a instituição tem ainda a seu cargo os 254 talhões de combatentes que há em Portugal.

No cemitério militar de Richebourg l"Avoué, inaugurado em 1928, estão sepultados 1831 portugueses mortos na I Grande Guerra, a maioria na batalha de La Lys (9 de abril de 1918). Para aí foram trasladados os corpos dos soldados que estavam noutros cemitérios franceses e num belga, bem como os de prisioneiros de guerra mortos na Alemanha, lembra o PSD. No outro lado da rua está uma capela dedicada a Nossa Senhora de Fátima e, a alguns quilómetros de distância, o referido monumento em La Couture, junto ao qual o Chefe do Estado depositou uma coroa de flores durante a visita a França em junho passado.

"A preocupação tem um sentido positivo, de preservar a memória" dos mortos na I Grande Guerra e "enquanto é tempo", conclui Joel Sá.

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