João Ferreira é candidato a Lisboa com muitas críticas a Medina

CDU avança com a candidatura do atual vereador à autarquia da capital. E diz-se pronta para assumir todas as responsabilidades, incluindo a presidência

Em Lisboa, a CDU avança com a candidatura do atual vereador João Ferreira à Câmara de Lisboa, sem abrir a porta a eventuais entendimentos com o PS. O também eurodeputado comunista foi claro nessa recusa: "O projeto da CDU confronta em aspetos essenciais com o que tem sido o projeto" do PS para a cidade.

Nas respostas aos jornalistas, depois de ter apresentado esta quinta-feira de manhã a sua declaração de candidatura em que fez um retrato demolidor da gestão socialista na capital, João Ferreira defendeu que, ao fim de "16 anos" de executivos do PSD/CDS (durante seis anos) e PS (nos últimos dez anos), "a alternância nunca foi algo a que os lisboetas se tenham de resignar". A opção, insistiu, é entre "mais do mesmo" ou "a mudança".

Tal como há quatro anos - quando o vereador da Câmara de Lisboa e deputado no Parlamento Europeu já tinha sido o candidato da coligação entre PCP e Partido Ecologista "Os Verdes" em 2013 - João Ferreira assumiu que "a CDU está a pronta a disputar as eleições e a assumir todas as responsabilidades, incluindo a presidência" da autarquia.

Nas eleições autárquicas de há quatro anos, a CDU arrecadou 9,58%, o equivalente a 22 519 votos, conquistando assim dois mandatos, um deles atribuído a João Ferreira e outro a Carlos Moura.

À frente ficaram o PS - cuja lista integrou os movimentos "Cidadãos por Lisboa" e "Lisboa é muita gente" -, com 50,91% (116 425) dos votos e 11 mandatos, e a coligação PSD/CDS-PP, com 22,37% (51156) dos votos e quatro mandatos.

Retrato demolidor da gestão de Medina

Na apresentação da candidatura na Câmara Municipal de Lisboa, João Ferreira não deixou pedra sobre pedra na leitura que fez da atual gestão socialista do executivo liderado por Fernando Medina (e abarcando ainda a anterior gestão do PSD/CDS).

Segundo o vereador comunista, os últimos 16 anos "foram de política urbana à mercê do especulador imobiliário", "em que se alargou o fosso social" e nos quais se agravaram as "dificuldades no acesso à habitação", em que "expulsaram centenas de milhares de pessoas, na maioria jovens". Foram anos em que "degradou-se a atividade económica", com a "agonia do comércio local", "tudo descambando na exploração da monocultura intensiva do turismo".

"Por regra", sentenciou Ferreira, "os interesses particulares sobrepuseram-se aos interesses" da cidade, sublinhando a entrega a privados do Capitólio, do Pavilhão Carlos Lopes, de partes do Terreiro do Paço e da frente ribeirinha. E "a mais simbólica negociata" que foi o caso Bragaparques, em que até o BE mereceu críticas por ter aprovado o primeiro negócio.

notícia atualizada às 12.00 com as declarações de João Ferreira

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