CDS acusa: Capoulas Santos é o rosto da falta de ordenamento florestal

O líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, acusou hoje o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, de ser "o responsável máximo pela falta de ordenamento florestal" e de "incapacidade, incompetência e inaptidão" para ocupar o cargo que ocupa.

Nuno Magalhães reagia desta forma a declarações feitas hoje pelo ministro da Agricultura relativamente a uma legislação produzida no anterior Governo pela sua antecessora e atual líder do CDS/PP, Assunção Cristas.

Capoulas Santos classificou de "ineficaz" essa legislação, que permitiria identificar os proprietários de terrenos florestais sem dono conhecido, propondo-se a alterá-la "para melhor".

Considerando que o CDS tem revelado sentido de Estado e de dever durante os incêndios, procurando focar-se no essencial e em dar apoio a quem está no terreno, Nuno Magalhães afirmou que essa postura "foi quebrada hoje e de forma grave e muito séria pelo senhor ministro Capoulas Santos, que fez declarações muitíssimo graves".

Na opinião do líder parlamentar do CDS/PP, as declarações do ministro "revelam o seu desespero, a sua incapacidade, a sua incompetência e inaptidão para ocupar o lugar em que está, tanto mais que o fez enquanto ministro e em visita ao local, ainda, infelizmente, afetado pelo flagelo dos incêndios".

"Na verdade, o país conhece-o há muitos anos, há mais de três décadas e se há alguém que enquanto autarca, enquanto deputado, enquanto secretário de Estado, enquanto eurodeputado, enquanto ministro, sempre a trabalhar nesta área, é a cara e o responsável máximo da falta de ordenamento florestal é o senhor Capoulas Santos, que desde 1991, pelo menos, até antes, ocupa cargos governamentais na administração local ou central", acusou.

Nuno Magalhães considerou ainda que se o governante tivesse "um módico de modéstia" ou, até mesmo, "de vergonha", deveria estar mais preocupado com o que aconteceu do que em fazer acusações à sua antecessora.

"Na verdade, anedótico foi aquilo que o senhor ministro disse aqui há uns tempos, e escreveu, que deveríamos abdicar da prevenção aos fogos para apostar no combate aos fogos florestais", acusou.

O líder parlamentar centrista vincou que Capoulas Santos tem que perceber que é ministro, que, nessa condição, tem de fazer reformas e que, para fazer reformas, tem de ter apoio paramentar.

"Se não as faz é porque não tem apoio parlamentar da sua maioria, do seu governo, e se não tem esse apoio parlamentar, provavelmente deve-se à sua pouca, ou nenhuma, ou mesmo insignificante poder do ponto de vista politico", afirmou.

Para o responsável do CDS/PP, "é tempo de este ministro aprender com erros, assumir as responsabilidades, aparecer e crescer do ponto de vista político e sobretudo falar menos e fazer mais".

Nas declarações que fez relativamente à legislação produzida por Assunção Cristas, Capoulas Santos disse que era de tal forma ineficaz que em três anos apenas permitiu identificar dois prédios sem dono conhecido.

Sendo que um deles [dos três prédios] se veio a verificar que não correspondia a essa situação", acrescentou o governante.

"Este grau de ineficácia é que nos obriga a melhorar esta legislação e não é, obviamente, nenhuma atitude persecutória contra o diploma que existia, que se fosse bom, tal como acontece com outros, manteríamos, mas sendo totalmente ineficaz obviamente que temos de alterar", argumentou Capoulas Santos.

Na quinta-feira, em conferência de imprensa no parlamento, Assunção Cristas acusou o ministro Capoulas Santos de ter "deitado ao lixo" legislação deixada pelo anterior Governo, que poderia ser útil no combate aos incêndios.

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