CDS e PCP: a militância também muda de cor

Nogueira Pinto é apenas o caso mais recente de um longo historial de transferências do CDS para outras paragens. Mas o campeão é o PCP: há ex-comunistas em quase todos os partidos

"Estamos habituados". Em tom irónico, um dirigente do CDS reagiu assim à notícia da inclusão de Maria José Nogueira Pinto, ex-militante e dirigente centrista, nas listas do PSD às próximas eleições legislativas. Não é caso para menos - o CDS/PP é dos partidos que conta, na sua história, com maior número de saídas de dirigentes para outras paragens partidárias.

Neste capítulo, o historial dos democratas-cristãos é imbatível. Desde a sua fundação, em 1974, o CDS viu sair da sua lista de militantes nada menos que três dos seis presidentes que teve até agora. A começar pelo fundador e primeiro líder, Diogo Freitas do Amaral - que, como independente, assumiu o ministério dos Negócios Estrangeiros na presente legislatura, a convite de José Sócrates.

Outro líder democrata-cristão, Francisco Lucas Pires (que assumiu a presidência do partido entre 1983 e 1985), acabou também por deixar o partido, desiludido com a política marcadamente anti-europeísta que o CDS adoptava no início dos anos 90. Foi deputado europeu, como independente, nas listas do PSD, até que acabou por filiar-se, já na segunda metade da década.

Já em 2003 foi a vez de Manuel Monteiro (que liderou os centristas entre 1992 a 1996) deixar também as hostes do partido, em colisão com Paulo Portas, neste caso para fundar o Partido da Nova Democracia. Nomes a que se pode juntar ainda o do também fundador Basílio Horta, que se desfiliou do CDS em 2007 - altura em que apoiou a candidatura do socialista António Costa à câmara de Lisboa. O ex-centrista ocupa a presidência da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), um cargo de nomeação do governo.

Mas o CDS está longe de ser caso único e, em termos de número, nem será o mais atingido por saídas para outras paragens. Este lugar cabe ao PCP, que ao longo dos últimos 20 anos viu sair dezenas de militantes (muitos expulsos) que acabaram por ingressar noutros partidos - sobretudo no PS , mas também no Bloco de Esquerda e até mesmo no PSD.

Movimentações que se verificaram também entre as duas maiores forças partidárias, com ganho para os socialistas - que viram entrar para o partido, no início dos anos 90, a antiga deputada social--democrata Helena Roseta. E chamaram também, ao primeiro governo de António Guterres, o ex-líder do PSD Sousa Franco (que se manteve como independente). Em sentido contrário, o PS viu sair algumas figuras para o extinto PRD - foi o caso de José Medeiros Ferreira, deputado pelo PS, depois pelo PRD, e que voltaria a sentar-se no hemiciclo parlamentar novamente pelos socialistas.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Daniel Deusdado

Começar pelas portagens no centro nas cidades

É fácil falar a favor dos "pobres", difícil é mudar os nossos hábitos. Os cidadãos das grandes cidades têm na mão ferramentas simples para mudar este sistema, mas não as usam. Vejamos a seguinte conta: cada euro que um português coloca num transporte público vale por dois. Esse euro diminui o astronómico défice das empresas de transporte público. Esse mesmo euro fica em Portugal e não vai direto para a Arábia Saudita, Rússia ou outro produtor de petróleo - quase todos eles cleptodemocracias.