CDS à procura da nova geração Cristas. Com mais miúdas

Começa esta noite de quinta-feira, em Peniche, a 3ª Escola de Quadros do CDS. Lotação esgotada, como 135 "jotinhas" inscritos

Francisco Rodrigues dos Santos, o presidente da Juventude Popular (JP) estava no centro de um debate improvisado à beira da piscina. Foi esta tarde de quinta-feira, pouco depois de terem começado a chegar os participantes da Escola de Quadros do CDS, que tem este ano a sua terceira edição. Em seu redor estavam um pouco mais de uma dezena de "jotinhas" de vários pontos do país. Havia dúvidas sobre a sua recente entrevista ao "I" e havia quem entendesse que Francisco tinha sido pouco claro em algumas matérias. Quase metade eram raparigas e o DN pode constatar que eram frontais, carismáticas e aguerridas na exposição dos seus pontos de vista.

Esta é a primeira Escola sob a liderança de Assunção Cristas, a primeira mulher a presidir ao partido, mas, embora ténue, a nova brisa feminina - ou "lufada de ar fresco", como lhe chamou Francisco Rodrigues dos Santos - já teve o seu impacto nos "jotinhas". Este ano houve mais raparigas a inscreverem-se (35% contra 30% no ano passado). Mas nada que mereça ainda algum reparo da organização. Diogo Feio, desde o primeiro ano responsável pela coordenação pedegógica da Escola de Quadros prefere salientar outras diferenças entre as Escolas com Paulo Portas e esta com Assunção Cristas: "Há dois temas novos, a Cultura e a Educação que vão ser aqui debatidos pela primeira vez e foram escolhas dos próprios jovens que querem discutir estes temas", assinala. Ana Rita Bessa, a titular da pasta no grupo parlamentar, terá na sua frente para debater Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação do PS no painel de sábado. Pedro Mexia, escritor e consultor do Presidente da República e o diretor do Museu de Arte Antiga, António Filipe Pimentel, vão agitar os intelectos dos "jotinhas" já esta sexta-feira de manhã.

"A lógica é termos pessoas com ideias diferentes das nossas para que os debates possam ser vivos. Se só convidássemos gente com as mesmas ideias seriam monólogos", sublinha Diogo Feio, deixando implícita uma explicação ao eurodeputado centrista Nuno Melo, que em entrevista ao Público, manifestou algumas dúvidas em relação ao convite à ex-ministra centrista. Ainda assim, apesar do apelo ao debate, Diogo Feio finta para canto a pergunta sobre se admite, em próximas edições, convidar pessoas do PCP, do BE, ou... do MPLA? "Há com certeza intelectuais de esquerda independentes que podem ser ouvidas. Quando ao resto, na Escola de Quadros só são aceites inscrições naturais de Portugal Continental e Regiões Autónomas", ironiza.

Esta noite o comissário europeu e ex-secretário de Estado Adjunto de Passos Coelho, Carlos Moedas abrilhantará com Nuno Melo o jantar-debate sobre a Europa. Moedas foi "vítima" direta do fim da coligação PSD/CDS que este ano não coordenou a realização das respetivas escolas para os seus jovens. De manhã Moedas esteve em Castelo de Vide, na Universidade de Verão do PSD e à noite em Peniche, percorridos 214 quilómetros pela A23. "Tivemos o cuidado de marcar a Escola para a mesma altura dos outros anos, sempre na primeira semana de setembro. Para o ano logo se verá", afirma Diogo Feio.

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