Cavaco sem pressa para decidir regressa à ilha no meio de uma crise política

Presidente "quis manter calendário" apesar da crise e segue para o arquipélago como aconteceu em 2013 durante a "crise do irrevogável". Cavaco interrompe assim as audições e mostra que não tem pressa em tomar uma decisão

Nova crise política, nova viagem à Madeira. Num tempo em que a direita insiste em tradições e convenções, o Presidente da República mantém o estilo do seu mandato: a agenda não muda, mesmo que o país esteja mergulhado numa crise política. Cavaco Silva deixa assim um sinal de que não tem pressa em dar posse a um novo executivo.

O Presidente inicia hoje uma viagem de dois dias ao arquipélago da Madeira, no âmbito da 7.ª jornada do Roteiro para Uma Economia Dinâmica. Isto apesar de o país enfrentar uma crise política, decorrente de ter um governo que foi derrubado no Parlamento na última semana.

Já em 2013, durante a chamada "crise do irrevogável" - quando Paulo Portas pediu a demissão e deixou o executivo de Passos Coelho em risco -, Cavaco Silva fez uma visita às ilhas Desertas (ver fotolegenda).

Na altura, o Presidente foi muito criticado por deixar o país a meio de uma crise política. Agora, Cavaco - que está a ouvir várias entidades e personalidades antes de tomar uma decisão - volta a não ceder a pressões e interrompe essas rondas de audições para um evento que estava na agenda há meses.

Fonte da Presidência da República explicou que "já não havia muito mais tempo para realizar esta etapa" e que, por isso, o Presidente "quis manter o calendário". A ida à Madeira partiu de um "planeamento a longo prazo", que previa esta "etapa insular". O facto de ser durante uma crise política, garante a mesma fonte, é uma "coincidência".

Embora seja Presidente há quase uma década, esta é a primeira vez que Cavaco Silva visita a Madeira e o presidente do governo regional não é Alberto João Jardim.

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