Cavaco "defendeu" sanções a Portugal no Conselho de Estado? (Atualizada)

Cavaco Silva à chegada ao Conselho de Estado

Ex-Presidente da República apresentou análise que pode ser interpretada como forma de legitimar a punição da Comissão Europeia a Portugal (Notícia atualizada)

Cavaco Silva terá sido o único conselheiro presente na reunião convocada por Marcelo Rebelo de Sousa a quebrar o consenso no órgão consultivo do Presidente da República, ainda que tal seja uma interpretação da sua posição na reunião que não é pacífica.

O encontro do Conselho de Estado, que decorreu na segunda-feira passada, tinha na agenda a discussão da situação política internacional mas, inevitavelmente, acabou por abordar as eventuais sanções de Bruxelas a Portugal, já que a decisão dos ministros do Ecofin sobre a abertura do processo de penalizações era aguardada no dia seguinte. Foi aqui que o ex-Presidente da República fugiu ao tom dominante, de condenação de eventuais sanções: apresentou uma análise à conjuntura internacional de cariz "essencialmente técnico", segundo hoje esta quarta-feira o jornal Público, em que sem nunca se referir às sanções acabou por legitimar a punição de Portugal por incumprimento do défice.

De acordo com o jornal, Cavaco Silva sublinhou os compromissos internacionais assumidos pelo país, nomeadamente o Tratado Orçamental, que obriga a um défice de 3%, e os programas de estabilidade que pedem défices ainda mais baixos. Ao frisar a importância das regras, Cavaco Silva pareceu legitimar as sanções, terão entendido alguns dos conselheiros de Estado na sessão.

No entanto, participantes na reunião ouvidos pelo DN garantiram que nada do que Cavaco Silva disse na reunião se pode conclui um apoio seu às sanções. Tratou-se de uma análise técnica apenas.

A intervenção de Cavaco, refere o Público, foi interpretada como sendo a mais crítica ao Governo de António Costa, já que o antigo Presidente fez uma análise da conjuntura económica internacional que desvaloriza o impacto de alguns países na economia nacional, nomeadamente as quebras no crescimento de Angola e Brasil. Cavaco sublinhou, segundo o jornal, que a envolvente externa é igual para todos e não justifica o fraco desempenho da economia portuguesa.

(Notícia atualizada com informação avançada ao DN de que a análise de Cavaco Silva não representa um apoio às sanções)

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