"Não estou arrependido nem de uma única linha"

Cavaco não está arrependido de nada do que disse. E recusa ter feito um discurso de "seita ou partidário". Sexta-feira volta a falar

O Presidente da República afirmou hoje não estar arrependido "nem de uma única linha" do que disse sobre a nomeação do Governo, assegurando não ter qualquer interesse pessoal e apenas se guiar pelo superior interesse nacional.

"Aquilo que havia a dizer sobre esse assunto já disse na intervenção que eu produzi que foi muito clara e não estou arrependido nem de uma única linha de tudo aquilo que eu disse", afirmou o chefe de Estado, em declarações aos jornalistas em Roma, onde participa esta tarde no X Encontro COTEC Europa.

Não estou arrependido nem de uma única linha de tudo aquilo que eu disse

Garantindo que não tem, nem nunca teve, qualquer interesse pessoal, Cavaco Silva garantiu que até ao último dia do seu mandato se guiará sempre pelo "superior interesse nacional".

"Como sabem nunca tive nem tenho qualquer interesse pessoal, desde o primeiro dia do meu mandato, até ao último dia do meu mandato guiar-me-ei sempre, sempre, sempre pelo superior interesse nacional", assegurou.

Recusando ter feito um discurso de "seita ou partidário", o Presidente da República reiterou que assumirá as suas responsabilidades porque a sua única preocupação "é a defesa do superior interesse nacional, depois de estudar muito aprofundadamente todos os problemas.

Desde o primeiro dia do meu mandato, até ao último dia do meu mandato guiar-me-ei sempre, sempre, sempre pelo superior interesse nacional

Questionado sobre o que irá fazer caso o Governo liderado por Pedro Passos Coelho seja 'chumbado' no parlamento, Cavaco Silva escusou-se a responder, argumentando que em Roma não fará qualquer comentário sobre a política portuguesa.

O chefe de Estado escusou-se igualmente a falar sobre a composição do executivo que o primeiro-ministro indigitado levou na terça-feira ao Palácio de Belém, dizendo apenas que aceitou os nomes propostos e que na sexta-feira, quando der posse do novo Governo, fará uma nova intervenção.

O presidente da República foi alvo de duras críticas dos partidos da oposição na sequência da indigitação de Passos Coelho para formar governo e do discurso que fez nessa ocasição.

Cavaco Silva disse, a 22 de outubro, que um governo de esquerda seria "uma alternativa claramente inconsistente".

À esquerda, os ânimos incendiaram-se. Dizendo que Cavaco Silva teve uma intervenção "inaceitável" em vários aspetos, o secretário-geral do PS, António Costa, afirmou que recusaria qualquer lição vinda do ainda inquilino de Belém.

Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda, defendeu que o presidente se estava a comportar "como o líder de uma seita".

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, por seu lado, acusou Cavaco Silva de "exorbitar funções".

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