Cavaco apela a combate à pobreza e à defesa do atual modelo económico

Na mensagem de Ano Novo, a última como Presidente da República, Cavaco Silva fez um balanço dos dez anos de mandato

Balanço de dez anos de mandato. Foi o que o Presidente da República escolheu para a última mensagem de Ano Novo em Belém. Do que aí vem, em 2016, Cavaco Silva apelou sobretudo ao combate às desigualdades e às situações de pobreza e exclusão social.

Talvez uma única frase tenha sido dirigida ao atual governo, o de António Costa quando afirmou que "temos o dever de defender o modelo político, económico e social que, ao longo de décadas, nos trouxe paz, desenvolvimento e justiça". E lembrou, duas vezes, "vivemos um tempo de incerteza".

De resto, Cavaco evitou nas três páginas de discurso aos portugueses palavras que se prestassem a ser lidas como recados a um executivo ao qual deu posse contrafeito. Um discurso proferido a uma semana do arranque da campanha na qual irá emergir o seu sucessor e a três meses de deixar as funções para as quais foi eleito em 2011.

Quanto aos mais desfavorecidos, o Presidente lembrou que, as situações de pobreza e exclusão "afetam ainda grande número de cidadãos : os idosos mais carenciados, os desempregados ou empregados precários, os jovens qualificados que não encontram no seu país o reconhecimento que merecem".

O Chefe do Estado defende também que Portugal deverá ter as portas abertas aos que nos procuram para integrar a nossa sociedade. "Numa Europa marcada por tensões e conflitos, onde em várias paragens emergem pulsões extremistas e xenófobas, Portugal deve afirmar a sua identidade universalista, o espírito com que, há mais de 500 anos, deu novos mundos ao mundo".

De balanço do seu trajeto em Belém exalta o conhecimento que adquiriu do "País real". Disse que mais do que aspetos dramáticos, procurou, acima de tudo, valorizar os bons exemplos e enaltecer o trabalho "admirável" de pessoas, instituições. "A nossa sociedade civil demonstrou, em tempos muito difíceis, a sua vitalidade, o seu dinamismo, a sua ambição de viver num país melhor e mais justo", disse.

Aos empresários, gestores e trabalhadores, jovens agricultores, autarcas e professores que conheceu reconheceu "um profundo amor a Portugal", mas nem sempre lhes é reconhecido o valor. Na sua opinião, estes portugueses não pedem muito ao país: "Pedem apenas que o Estado crie condições para que possam desenvolver o seu trabalho e, depois, que os poderes públicos não estabeleçam entraves à sua atividade, desde a criação de emprego e riqueza até à defesa do património e do ambiente, passando pela inovação social e tecnológica".

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