Catarina Martins acusa Cavaco de "mesquinhez política" quanto a adoção e IVG

Os vetos "acontecem um dia depois das eleições presidenciais para permitirem que a direita escondesse as suas contradições durante a campanha"

A porta-voz do Bloco de Esquerda acusou hoje o Presidente da República de "pura mesquinhez política" pelos vetos de Cavaco Silva à adoção por casais do mesmo sexo e revogação das alterações à lei de interrupção voluntária da gravidez.

"Estes vetos são um ato de pura mesquinhez politica. Acontecem um dia depois das eleições presidenciais para permitirem que a direita escondesse as suas contradições durante a campanha. Permitem também recordar-nos como o tempo de Cavaco Silva acabou há muito", afirmou Catarina Martins, na sede nacional bloquista, em Lisboa.

Numa curta declaração, a dirigente do BE lamentou que a ação do chefe de Estado possa vir a ter "consequências", designadamente porque "prolongam o tratamento indigno a mulheres que recorrem à IVG e adiam por alguns dias os direitos de crianças às suas famílias por inteiro".

"Existem condições para o parlamento confirmar com urgência os diplomas que Cavaco Silva vetou, obrigando à sua promulgação. Cavaco Silva vai acabar o seu mandato menorizado pela Assembleia da República e socialmente isolado por escolha própria", criticou.

Para a deputada bloquista, estes "foram temas debatidos, sufragados e houve uma escolha socialmente maioritária e essa escolha vai ser reconfirmada na Assembleia da República com urgência".

O regimento do parlamento prevê, no caso de legislação vetada pela Presidência da República, que a mesma tenha prioridade, possibilitando assim que a sua discussão e votação seja agendada já esta semana.

PS e PCP também já se manifestaram favoráveis à reconfirmação dos diplomas em causa.

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É procurador no Tribunal de Cascais há 25 anos. Escolheu sempre a área de família e menores. Hoje ainda se choca com o facto de ser uma das áreas da sociedade em que não se investe muito, quer em meios quer em estratégia. Por isso, defende que ainda há situações em que o Estado deveria intervir, outras que deveriam mudar. Tudo pelo superior interesse da criança.