Cascais planeia marina de luxo e jardim que esconde o Jumbo

Marina vai ser alvo de obras e requalificação para integrar hotel de cinco estrelas, lojas de luxo e museu de arte urbana. O supermercado é apagado da paisagem

2018 é um ano de movimentações urbanísticas na autarquia liderada pelo social-democrata Carlos Carreiras, reeleito em outubro, a avaliar pelos projetos divulgados ontem numa apresentação à imprensa que decorreu com vista para os andaimes e estaleiro de uma das obras em curso, a Nova SBE - Nova School of Business and Economics, que deixa Campolide e se começa a mudar em junho para Carcavelos, "a nova centralidade de Cascais", segundo o vice-presidente da câmara de Cascais.

A nova marina foi um dos projetos que Miguel Pinto Luz trouxe para a apresentação. Nesta zona será inaugurado "um novo hotel, de uma cadeia internacional, um novo espaço comercial, um novo espaço de amarração. Marcas de restauração, as principais marcas internacionais vão estar. Vai ser um centro muito ligado ao luxo, ao cosmopolitismo, ao glamour, representativo do que Cascais tem vindo a fazer nos últimos 60, 70 anos", notou.

Os espaços atualmente abertos serão encerrados "por algum tempo", adiantou o número dois da câmara. "Alguns terão oportunidade de funcionar de forma mais precária, outros terão de encerrar, mas é algo que o atual proprietário da marina sabe, mas por que os próprios utilizadores e comerciantes da marina anseiam". "A grande maioria dos negócios vão manter-se", conclui. O projeto arranca no final deste ano.

No parque de estacionamento de acesso à marina nascerá o MARCC - Museu de Arte Urbana e Contemporânea de Cascais. "São quase 3 mil metros em que quase metade será dedicada ao museu de arte urbana e na outra metade, em conjunto com o Duarte Cancela de Abreu e o ACP Classic vamos fazer um museu do automóvel clássico".

Uma nova entrada para Cascais

A lista de obras continua: um El Corte Inglés, a faculdade de Medicina da Universidade Católica, que se encontra em "certificação", o edifício Cruzeiro, cujo projeto de arquitetura deverá estar pronto dentro de um mês e meio, e albergará a Escola de Teatro de Cascais, a nova sede do TEC -Teatro de Cascais e o respetivo arquivo, e, bem perto da Nova SBE, a Quin ta dos Ingleses, um projeto de urbanização de 52 hectares do arquiteto José Adrião que prevê a construção de vários hotéis. "Esse projeto está aprovado, em fase de licenciamento, com entidades externas, nomeadamente a Agência Europeia do Ambiente". "É algo que tem de funcionar de forma simbiótica com a Nova", refere o vice-presidente do executivo.

Na entrada de Cascais também estão previstas mudanças. O supermercado Jumbo, aberto desde 1973, será enterrado, a partir de um projeto do atelier Fragmentos de Arquitetura. "Aquilo que nós vemos hoje, aquela desorganização urbanística vai deixar de existir. Em cima nascerá um grande espaço verde aberto ao público e alguns condomínios privados", detalha Miguel Pinto Luz aos jornalista, revelando que o plano foi explicado ao executivo municipal anteontem. "Estes eventos têm um lado negativo, milhares de pessoas afluem todos os dias a Cascais, mais restaurantes abrem em Cascais, mais lojas , e por isso tivemos de encontrar novas formas de gerir o tráfego".

Taxa turística alinhada com Lisboa

Em 2017, o concelho de Cascais registou 1,4 milhões de dormidas, batendo o recorde de 2016 e manterá a taxa turística de 1 euro que, disse Pinto Luz, rendeu "1,6 milhões de euros" aos cofres da autarquia. "Estamos alinhados estrategicamente com Lisboa. Enquanto Lisboa não mexer, nós não mexemos", referiu. "Neste números não está o alojamento local que são sempre mais difíceis de encontrar".

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