Carteiristas: Denúncias à PSP aumentaram 8%

As denúncias dos furtos cometidos por carteiristas aumentaram cerca de oito por cento no primeiro semestre deste ano face a igual período de 2010, sendo a crise económica apontada como um dos motivos, segundo dados da PSP.

Números avançados à agência Lusa pela Polícia de Segurança Pública indicam que nos primeiros seis meses do ano foram denunciados 7740 furtos praticados por carteiristas, mais 590 que em igual período de 2010, quando a Polícia recebeu 7150 queixas.

A PSP refere que "não pode assumir o ligeiro aumento registado no primeiro semestre de 2011 como consequência directa da crise económica, porque ao final do ano a situação poderá inverter-se".

No entanto, sustenta que existem "múltiplos factores que podem influenciar ou não na sua ocorrência, sendo que a crise económica é uma delas, sem dúvida, mas não a única".

A PSP não divulga os números dos carteiristas detidos, adiantando apenas que as detenções "incidem muitas vezes sobre os mesmos cidadãos".

Segundo a Polícia, os carteiristas estão "devidamente identificados", uma vez que são "reincidentes e fazem desta prática o seu modo de vida". Os imperativos legais vigentes, "que esbarram essencialmente no facto deste tipo de crime ter uma moldura penal baixa", e as penas ou medidas de coação a que são sujeitos serem "fracas", origina o regresso a esta actividade, salienta aquela força policial.

Os dados mostram igualmente que no primeiro semestre aumentou igualmente o número de carteiristas identificados pela Polícia. Nos primeiros seis meses deste ano, a PSP identificou 855 cidadãos, contra os 674 no mesmo período de 2010.

A Polícia justifica este aumento com a "maior pro-actividade policial e uma maior eficácia no resultado das investigações".

Os furtos por carteiras acontecem mais em Lisboa, Porto, Setúbal e Faro, sendo a via pública, transportes públicas, cafés e restaurantes os locais preferidos. Apesar de os carteiristas actuarem durante todo o ano, é no verão e em épocas festivas, como o Natal, a sua época de eleição, tendo em conta "a maior movimentação de pessoas e bens".

De acordo com a PSP, os carteiristas são, na sua maioria, homens, de nacionalidade portuguesa, desempregados e têm entre 20 e 24 anos, podendo também estar na faixa etária dos 35 aos 39 anos e 40 aos 44.

A polícia refere que no primeiro semestre deste ano as mulheres representaram 38 por cento dos carteiristas.

Os turistas, designadamente europeus, são os principais alvos deste tipo de crimes, preferindo os carteiristas as mulheres entre os 20 e os 24 anos e os homens entre os 60 e os 64.

É precisamente por muitas das vítimas serem estrangeiras que falha a participação do crime às autoridades. Saída do país, descrédito na recuperação dos materiais ou então a simples perda de tempo na formalização da denúncia são as razões apontadas pela Polícia para a não participação dos furtos das carteiras.

Para combater este crime, a Polícia tem desenvolvido diversas acções nos locais onde os carteiristas mais actuam, tendo criado já há algum tempo a Divisão de Segurança a Transportes Públicos, que tem permitido aumentar o conhecimento policial nesta área e efectuar detenções em flagrante delito.

A PSP adianta também que o Departamento de Investigação Criminal efectua diariamente análises às diversas tipologias criminais, tendo em vista a identificação de fenómenos de furtos que se verifiquem em todo o país com os mesmos autores, para efeitos de partilha de informação a todos os comandos da Polícia.

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