Campanha de Marisa Matias sublinha papel da emigração na abstenção

O diretor de campanha de Marisa Matias expressou a sua "solidariedade" para com os cidadãos portugueses "se deparam com problemas que já não deveriam existir"

O diretor de campanha de Marisa Matias já reagiu às primeiras projeções da abstenção nestas presidenciais dizendo que elas "dão uma ligeira redução em relação ao último ato eleitoral [2011] no seu geral".

No entanto, Fabian Figueiredo frisou: "Registamos como positivo porque houve nos últimos anos, fruto das políticas de austeridade, uma emigração de mais de meio milhão de pessoas, que infelizmente não conseguem participar no ato eleitoral pelas mais diversos problemas."

No Salão Jardim, do Coliseu do Porto, o responsável notou, contudo, que os números que estão a ser adiantados estão "muito acima" do "esperado" e do "desejado", acrescentando, a esse propósito, que "há uma parte dos portugueses, como é público e sabido, que não pôde participar" no sufrágio deste domingo.

Fabian Figueiredo endereçou ainda uma palavra aos "concidadãos nos EUA que não puderam votar e que ainda vão votar" e expressou a sua "solidariedade" para com os cidadãos portugueses "que ato eleitoral após ato eleitoral se deparam com problemas que já não deveriam existir". "Sublinhamos como sendo positivo haver um Governo com a vontade de introduzir o voto eletrónico para as comunidades portuguesas poderem participar em igualdade de circunstâncias", rematou.

Marisa Matias já chegou ao Coliseu do Porto, e entrou acompanhada pela porta-voz bloquista, Catarina Martins, pelo ex-coordenador do partido João Semedo e o mandatário nacional da candidatura, António Capelo.

Marisa Matias chegou às 19.28 ao Salão Jardim, no Coliseu do Porto, onde já estão algumas dezenas de apoiantes, entre os quais vários deputados do BE. Muito aplaudida, a eurodeputada, que vinha com um ramo de flores nas mãos, cumprimentou os presentes e recolheu a uma sala reservada onde vai aguardar pelos resultados das presidenciais deste domingo.

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