Camões deixado para trás nas obras da parque escolar

Escola Secundária de Camões é edifício de interesse público. Precisa de recuperação urgente desde as salas à rede elétrica.

A Escola Secundária de Camões foi inaugurada a 16 de outubro de 1909. Um edifício Ventura Terra em forma de E em que todas as salas dão para dois pátios interiores ou para um varandim superior que não esconde o peso da idade. Ao fundo duas casas que acolhem os gabinetes de química e de física. Por trás, o que já foi um campo desportivo agora coberto de ervas por estar há 10 anos fechado a cadeado por haver risco de ruir.

Quais são as zonas mais degradadas? "É tudo", diz a vice-diretora Adelina Precatado, que afirma que a escola só não está pior graças aos "pensos-rápidos" que o orçamento privado tem permitido dar pequenas pinturas ou remendos. Pouco para o que precisa. "Na quinta-feira caiu uma parte do algeroz. Felizmente não atingiu ninguém." A degradação é evidente: corredores e salas com humidade, tetos de cortiça descascados, buracos no teto de madeira do ginásio, fendas nas paredes, azulejos caídos. "Não é só mudar portas e janelas, é preciso obras na canalização e na rede elétrica. A estrutura da escola está em risco de derrocada se houver um sismo", diz Gabriela Fragoso, presidente do conselho geral, referindo-se aos relatórios do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e da Câmara de Lisboa.

Entre ensino diurno e noturno são cerca de 1900 alunos, a partir dos 14 anos. O Camões foi relegado para a terceira fase de obras da Parque Escolar. E a recuperação que deveria ter sido feita em 2011 nunca arrancou. "Nunca percebemos os critérios de prioridade. A justificação do ministério na altura foi a falta de recursos financeiros. Ainda propusemos que apresentassem alternativas mais baratas. Queríamos é que fosse garantida a segurança dos alunos, dos profissionais e dos bens", diz Gabriela Fragoso. Nessa altura o projeto previa obras no valor de 17,5 milhões de euros. A direção já reuniu com o ministério que garantiu que as obras iriam avançar, num projeto reformulado que não deve ir além dos 12 milhões de euros. "O estudo das estruturas deve começar no fim da semana. Serão 3 meses. Depois mais 6 para refazer o projeto e a seguir será lançado o concurso internacional. Temos esperança que as obras comecem no final de 2017", afirma Adelina Precatado.

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